A associação ecológica Amigos dos Açores espera que o novo executivo açoriano dê continuidade à criação de áreas marinhas protegidas, incremente a reciclagem de resíduos e implemente um novo plano de ordenamento turístico, que está suspenso desde 2010.

“É fundamental termos um plano de ordenamento para a atividade turística, de modo a termos um conjunto de regras e modos de gestão do território, não numa abordagem meramente restritiva, mas de organização territorial, porque talvez seja esse, na época alta, um dos nossos maiores problemas a nível das questões turísticas”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da associação, Diogo Caetano.

Um dos problemas que o ambientalista apontou aos vários governos da região é a falta de execução das medidas previstas nos planos de investimentos, que são “repetidamente anunciadas” e “não têm conclusão”.

Entre os exemplos, destacou vários documentos de gestão que continuam por publicar como as cartas de desporto e natureza, a legislação de avaliação de impacte ambiental e a legislação da reserva ecológica regional.

Publicado em 2008, o plano de ordenamento turístico está suspenso desde 2010 e, apesar de uma nova versão ter estado em consulta pública em 2017, continua sem ter um documento aprovado.

Segundo Diogo Caetano, o grande desafio da região não é o crescimento do turismo, mas a necessidade de ter uma gestão integrada, que permita assegurar que não há pressão em áreas sensíveis.

“Em determinados momentos, não tendo uma preparação e uma organização do território e distribuição de atividades suficientes, acabamos por sacrificar algumas zonas por excesso de carga, seja de viaturas nos miradouros, seja de pessoas em áreas sensíveis, muitas delas protegidas”, alertou.

Para o presidente da associação, criada há 40 anos, a preservação do ambiente nos Açores “tem sido mais uma bandeira do que uma prioridade”.

“Não é de forma alguma desprezar as políticas ambientais que têm surgido, algumas das quais na região até marcam alguns pontos no contexto nacional, mas muitas das vezes utiliza-se a questão ambiental, até para a vertente turística, como um galardão e como uma estratégia de promoção, mais do que como boas práticas e práticas efetivamente sustentáveis”, explicou.

O ambientalista disse esperar que o próximo executivo “dê continuidade ao trabalho que tem sido feito” na criação de áreas marinhas protegidas em 30% do mar dos Açores.

Defendeu ainda um “investimento maior nas estações de tratamento mecânico e biológico” nas ilhas Terceira e São Miguel, para que seja possível cumprir as próximas metas de reciclagem, ao contrário do que aconteceu em 2020.

Quanto à relação com o executivo açoriano, Diogo Caetano disse esperar que o novo governo ausculte mais as associações e os cidadãos nos períodos prévios aos projetos, porque quando eles já estão concluídos “dificilmente se consegue mudar algum aspeto com impacto significativo”.

“Gostaríamos que houvesse mais momentos em que pudéssemos participar, não apenas quase para recebermos uma informação de antemão, mas numa fase construtiva onde possamos ser envolvidos e chamados a cooperar”, frisou.

Os Açores vão a votos em 04 de fevereiro, após a dissolução da Assembleia Legislativa pelo Presidente da República, devido ao chumbo do Orçamento para este ano.

Apresentaram listas às eleições regionais 11 forças políticas, incluindo três coligações.