O Bloco de Esquerda defende uma aposta na transição da agricultura para um modo de produção biológico e acredita que a ilha Graciosa pode ser pioneira nos Açores, aproveitando para potenciar o seu galardão de reserva da biosfera da UNESCO, como forma de aumentar os rendimentos dos produtores.

António Lima, que esteve hoje reunido com a Associação dos Agricultores da Graciosa, diz que a agricultura está muito presente no discurso do atual governo, mas “não há uma visão de futuro”.

O Governo está agarrado ao que a indústria quer: “uma produção barata e indiferenciada”, que prejudica o rendimento dos produtores.

O Bloco de Esquerda defende uma aposta na produção biológica, mais sustentável, mais focada nos recursos endógenos da Região e menos dependente de fertilizantes e de rações, que melhore os rendimentos de quem trabalha na terra.

António Lima critica a falta de atenção do governo em relação aos produtores que já optaram pela produção biológica: “Por exemplo, um mero apoio à certificação dos agricultores para a agricultura biológica, que está previsto no orçamento há vários anos, não foi pago pelo governo a muitos produtores”.

O coordenador do Bloco de Esquerda salientou outro problema que afeta a ilha da Graciosa de uma forma geral, mas também os agricultores de uma forma muito preocupante, que é o problema da falta de água na Graciosa e a falta de qualidade da água.

Ricardo Toste, primeiro candidato do Bloco pela Graciosa, lamenta que o governo de direita e os governos do PS tenham sempre empurrado este problema para a frente sem tomar medidas para o resolver.

Atualmente a água da rede pública na Graciosa tem um elevado teor de sal e há perdas superiores a 60% ao longo da rede. Dois problemas que já são conhecidos há muitos anos e que continuam sem solução à vista.

Por isso, Ricardo Toste defende que na próxima legislatura o governo regional e autarquia de Santa Cruz da Graciosa têm que trabalhar em conjunto para resolver este problema, através da construção de formas de armazenamento da água, através da captação de água em novos furos, e através da substituição da rede de abastecimento para garantir maior qualidade e menos perdas de água na ilha Graciosa.

“Esta é uma situação que a população reconhece que é um problema muito grave e tem que ser resolvida”, afirma Ricardo Toste.