O vice-presidente da bancada parlamentar do PS Francisco César afirmou hoje que a experiência nos Açores mostra que o PSD não “hesitará um segundo” em fechar um acordo com o Chega se for necessário para governar.

Num discurso no 24.º Congresso Nacional do PS, em Lisboa, Francisco César, que foi diretor da campanha de Pedro Nuno Santos na disputa pela liderança do PS, alertou que se “vive provavelmente um dos momentos mais decisivos para a democracia portuguesa”, salientando que, em todo o mundo, “partidos populistas, nacionalistas, ultraliberais e até neofascistas estão em ascensão”.

“Esse ressurgimento da extrema-direita só tem paralelo nos anos 30 do século passado, com as consequências que nós conhecemos bem. Mas também aqui a extrema-direita fez o seu caminho”, disse.

Francisco César referiu que conhece bem esse caminho porque o viu a acontecer nos Açores, onde o Chega, “que se afirmava como a voz das pessoas de bem, contra os subsídios a quem não trabalha, o partido que era da liberdade contra o sistema político”, suportou, durante três anos, “um Governo da Aliança Democrática, liderado pelo PSD”.

Dessa experiência governativa, Francisco César defendeu que é importante que os portugueses saibam que, três dias antes das eleições regionais, o presidente do PSD Açores, José Manuel Bolieiro, “tal como Luís Montenegro afirma agora”, tinha dito que “não é não” a um eventual acordo governativo com o Chega e, sete dias depois, assinou um acordo de incidência parlamentar com o partido liderado por André Ventura.

“A credibilidade do PSD é largamente ultrapassada pela sua história e pelos factos e, se for necessário fazer um acordo com o Chega para lá chegar, não hesitará um segundo”, referiu.

Francisco César refutou ainda a tese de que, quando a extrema-direita chega ao poder, se modera, salientando que, nos Açores, medidas como de um “corte de 40% nos beneficiários no Rendimento Social de Inserção (RSI) foi cumprida”, o que fez com que a “pobreza tenha aumentado significativamente, passando os Açores a ser a região mais pobre do país”.