A coligação PSD/CDS-PP/PPM açoriana considerou hoje que o PS passou a ser dirigido “por alguém que possui um histórico de desrespeito” pela região e que a moção do novo líder socialista apresenta “generalidades” relativamente às regiões autónomas.

“A partir de agora, o Partido Socialista nacional, com a cumplicidade de personalidades como Carlos César e Vasco Cordeiro, passa a ser dirigido por alguém que possui um histórico de desrespeito pelos Açores”, refere em comunicado a coligação açoriana PSD/CDS-PP/PPM.

Numa nota enviada às redações, na sequência das afirmações feitas pelo presidente do PS, Carlos César, no congresso do partido, a coligação lembra que em 2020 o agora secretário-geral socialista e então ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, “no momento mais crítico da pandemia [de covid-19] e em pleno estado de emergência, mandou a TAP continuar a voar para os Açores, recusando os pedidos do Governo Regional para fechar os aeroportos do arquipélago ou de suspender os voos da transportadora aérea nacional”.

“Foi também Pedro Nuno Santos que, enquanto ministro, meteu na gaveta o processo de revisão das Obrigações de Serviço Público de transporte aéreo entre o continente e as ilhas do Faial, Pico e Santa Maria. Como consequência, a SATA Internacional – Azores Airlines – sujeita a um processo de reestruturação – continua a prestar aquele serviço sem receber qualquer compensação financeira do Governo da República”, recorda a coligação.

Para a coligação PSD/CDS-PP/PPM dos Açores, o novo secretário-geral do PS “é igualmente um dos responsáveis por [o Governo da República] ter arrumado na gaveta o urgente processo do novo cabo submarino de telecomunicações entre os Açores e o continente, cuja implementação já se devia ter iniciado há muito tempo”.

Relativamente à moção que Pedro Nuno Santos leva ao congresso do PS, que decorre até domingo, em Lisboa, a coligação salienta que “tem um conjunto de generalidades relativamente às regiões autónomas e não assume nenhum compromisso concreto quanto ao aprofundamento da autonomia, nem quanto à resolução das questões pendentes entre a região e o Governo da República”.

“Apoiar um dirigente político com tal histórico de desrespeito pela autonomia regional é virar as costas aos Açores e aos açorianos”, sustenta.

Relativamente às afirmações de Carlos César, que liderou o Governo dos Açores entre 1996 e 2012, a coligação destaca que, nos últimos três anos, com a governação PSD/CDS-PP/PPM, “o bom funcionamento dos serviços públicos nos Açores contrasta com o caos que se vive no continente em setores como a Saúde e a Educação”.

“Nos Açores, há um clima de paz e justiça social, em resultado das políticas prosseguidas pelo Governo Regional liderado por José Manuel Bolieiro. No continente vive-se um ambiente de instabilidade social e profissional, que é consequência da má governação do Partido Socialista”, aponta.

De acordo com a coligação, “os governos de Vasco Cordeiro [entre 2012 e 2020] foram governos de contas incertas e de problemas por resolver”.

“Foram os governos de Vasco Cordeiro que aumentaram a dívida pública regional em 1.682 milhões de euros”, acusam os partidos da coligação, salientando que “os Açores rejeitam o envelope de propostas de Carlos César, Pedro Nuno Santos e Vasco Cordeiro”.

Na nota, a coligação reitera ainda que a legislatura nos Açores “foi interrompida por culpa” do PS.

“Nos Açores, só a irresponsabilidade da oposição liderada pelo PS provocou a instabilidade. De um mau exemplo, só se pode esperar uma má experiência”, acrescenta a coligação PSD/CDS-PP/PPM.