Os norte-americanos reconheceram “pela primeira vez, na 50.ª Comissão Bilateral Permanente realizada na ilha Terceira, Açores, a existência de um problema laboral na Base das Lajes e “mostraram disponibilidade para mexer nas tabelas salariais”, anunciou hoje o Governo açoriano.

“Pela primeira vez, os norte-americanos reconheceram que existe um problema a nível laboral na Base das Lajes e mostraram disponibilidade para mexer nas tabelas salariais. Está previsto, logo no início de 2024, uma reunião extraordinária da comissão laboral, para abordar este assunto em particular”, disse hoje o vice-presidente do executivo dos Açores.

Segundo Artur Lima, na 50.ª Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), realizada na ilha Terceira, o Governo regional (PSD/CDS-PP/PPM) foi firme “na exigência de respostas ao nível laboral e ambiental”.

“Apelamos que seja encontrada uma solução para evitar a compressão das tabelas salariais dos trabalhadores da Base das Lajes e reiteramos a defesa convicta na descontaminação integral dos solos e aquíferos da Praia da Vitória”, disse o governante aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, no Palácio dos Capitães-Generais, na sequência da reunião.

No que diz respeito à questão laboral, salientou que, pela primeira vez, os norte-americanos “admitiram mexer na tabela” e “encontrar uma solução técnica” para resolver esse problema, o que também exige o compromisso do Governo da República.

“Os Açores fizeram aquilo que era seu dever. Trazer à Comissão Bilateral, insistir na resolução do problema e alertar para a injustiça que é esta tabela salarial, neste momento”, explicou.

A nível ambiental, de acordo com Artur Lima, a delegação dos EUA realçou que “vão ser instaladas mais sondas de monitorização da contaminação dos aquíferos e comprometeram-se a continuar a remover poluentes do aquífero” da Terceira.

“Ficámos, por isso, muito agradados com a abertura dos Estados Unidos para avançar na cooperação com os Açores nos domínios científicos, tecnológicos e da transição energética”, salientou.

No encontro, o vice-presidente do executivo açoriano abordou a possibilidade de instalação de um posto alfandegário dos EUA na ilha Terceira, um assunto que será discutido na próxima Comissão Bilateral Permanente e que “foi acolhido com bastante disponibilidade”.

O posto alfandegário permitiria que uma pessoa, para entrar nos Estados Unidos, faria o pré-embarque no aeroporto das Lajes e entraria nos EUA “diretamente como um americano”.

Nas declarações aos jornalistas, o responsável também salientou que os norte-americanos reconheceram a importância geoestratégica da Base das Lajes, mas “não foi adiantada nenhuma outra utilização que não seja a atual”.

Segundo um comunicado da Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, na 50.ª sessão da Comissão Bilateral Permanente EUA-Portugal, a delegação dos EUA foi chefiada pela vice-secretária de Estado Adjunta para os Assuntos Europeus e Euro-Asiáticos, Jacqueline Ramos, que esteve acompanhada pela vice-secretária de Estado Adjunta Principal da Defesa para os Assuntos de Segurança Internacional, Tressa Guenov, e pela Embaixadora dos EUA em Portugal, Randi Charno Levine, entre outros.