Quase 40 trabalhadores dos matadouros dos Açores estão de baixa médica devido à sobrecarga de trabalho e ao elevado esforço físico exigido pela carreira, reconheceu hoje o secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, António Ventura.

“Neste momento, temos 37 baixas médicas. Mas não é da vontade dos trabalhadores estarem de baixa. Isto resulta muito do esforço físico que provém do seu trabalho”, explicou o governante, durante uma audição na Comissão de Política Geral do parlamento açoriano, a propósito do novo regime jurídico da carreira dos trabalhadores dos matadouros da região.

Segundo explicou, apesar de a região ter vindo a investir numa maior mecanização no funcionamento dos matadouros, ainda existem tarefas que não podem ser substituídas por máquinas e que continuam a exigir “trabalho humano”.

Apesar disso, o titular da pasta da Agricultura nas ilhas espera que o novo regime jurídico das carreiras dos trabalhadores dos matadouros, que está em discussão na Assembleia Regional, possa fazer diminuir o número de baixas médicas, ao introduzir uma maior diferenciação entre tarefas.

“Ao diferenciar as categorias, este diploma irá permitir que cada trabalhador tenha uma funcionalidade diferente do outro, e evitar que todos façam tudo”, justificou o governante em declarações aos deputados.

Apesar dessas explicações, a presidente do Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA), Carolina Câmara, também ouvida na Comissão de Política Geral, entende que a polivalência dos trabalhadores dos matadouros terá de manter-se, pelo menos, nas ilhas mais pequenas.

“Apelo ao bom senso, como é óbvio, atendendo à carga de trabalho que é muito menor em alguns matadouros, para que as pessoas sejam polivalentes, porque, se não, tem pessoas que irão trabalhar apenas uma hora ou duas, uma vez por semana”, destacou aquela responsável.

A presidente do IAMA defende, por outro lado, que os trabalhadores dos matadouros dos Açores possam reformar-se mais cedo do que a maioria do cidadão comum, atendendo ao elevado esforço físico das funções que exercem, embora essa alteração só possa ser autorizada pela Assembleia da República.

“O fator de sustentabilidade nas reformas dos trabalhadores dos matadouros tem de ser eliminado para que as pessoas possam reformar-se aos 55 anos de idade, já que tiveram uma vida de maior desgaste nas suas profissões”, insistiu Carolina Câmara.

Os trabalhadores dos matadouros dos Açores já auferem de um subsídio de risco, que corresponde a um aumento de 33% sobre o seu vencimento base.

 

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