O PSD/Açores criticou hoje o líder do PS/Açores, acusando-o de “não olhar para o interesse coletivo” e de votar contra o Orçamento da região para 2024 “por só pensar no seu futuro político” e na “agenda partidária”.

“O deputado Vasco Cordeiro coloca-se numa contradição insustentável: está a favor das boas medidas que o Orçamento contém, mas vota contra por só pensar no seu futuro político e na agenda partidária do PS”, atirou o líder parlamentar do PSD/Açores.

Bruto da Costa falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, nos discursos finais da discussão do Plano e Orçamento da região para 2024.

O social-democrata disse que o líder socialista (que chefiou o Governo Regional entre 2012 e 2020) já confessou que concorda com medidas previstas no Orçamento da região e acusou o maior partido da oposição de fazer política de “terra queimada”.

“Senhor deputado Vasco Cordeiro, se concorda com as medidas deste Orçamento, se o seu PS quer aprovar estas medidas daqui a seis meses, deixe-me dizer-lhe: não faça dos açorianos um brinquedo dos seus jogos políticos e tenha a coragem de votar a favor de medidas”, atirou.

E acrescentou: “Esta forma de ser oposição de terra queimada, que nunca olha o interesse coletivo, mas apenas o bota abaixo, tem motivado o deputado Vasco Cordeiro neste caminho de querer uma crise orçamental nos Açores porque há uma emergente ansiedade socialista com a agenda política do próximo ano”.

João Bruto da Costa enalteceu as “conquistas da atual legislatura”, como a redução fiscal, a criação da Tarifa Açores (que permite viagens aéreas interilhas a 60 euros), o fim dos rateios ou o programa Novos Idosos.

“Já alguém aqui ouviu alguma vez nesta legislatura o PS comprometer-se com estas importantes medidas para os Açores? Não. E isso acontece porque são contra os baixos impostos, contra o fim dos rateios na agricultura e incapazes de elogiar a medida dos Novos Idosos”.

O líder parlamentar do PSD no parlamento açoriano acusou ainda o PS de “incitar bairrismos de ilhas contra as ilhas” devido aos discursos durante a discussão do Orçamento.

“Vasco Cordeiro e o PS tudo fazem para que exista crise orçamental nos Açores, no fundo, fazem o que sempre fizeram: colocar os interesses do PS e do seu líder acima dos interesses dos Açores”, reforçou.

O Plano e o Orçamento dos Açores para 2024, de cerca de dois mil milhões de euros, começaram na segunda-feira a ser debatidos no plenário da Assembleia Legislativa Regional, na Horta, onde a votação na generalidade deverá acontecer na tarde de hoje.

O quarto Orçamento da legislatura regional é o primeiro a ser votado após a Iniciativa Liberal (IL) e o deputado independente terem denunciado em março os acordos escritos que asseguravam a maioria parlamentar ao Governo dos Açores.

Antes do arranque da discussão, a IL e o PS anunciaram o voto contra na generalidade, enquanto Chega e PAN rejeitaram votar a favor, o que poderá levar à reprovação do Plano e do Orçamento.

Entretanto, na terça-feira, o presidente do Chega anunciou que o deputado do partido nos Açores vai abster-se na votação.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da IL, um do PAN, um do Chega e um independente (eleito pelo Chega).