O espetáculo “Ouço-te na Sombra da Praça Vazia, Mas Não Sei de Ti” leva ao Coliseu Micaelense, Açores, a 29 de novembro, um projeto comunitário, juntando várias idades e profissões, para refletir sobre a identidade da ilha de São Miguel.

“As pessoas vão participando nesta construção seja através daquilo que vão fazendo diretamente, naquilo que vamos vendo no palco, mas também em coisas que não são diretamente visíveis, em construções que inspiram outras coisas”, sublinhou hoje Tiago de Faria, encenador e diretor artístico do espetáculo.

Na apresentação à imprensa do espetáculo “Ouço-te na Sombra da Praça Vazia, Mas Não Sei de Ti”, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, o encenador realçou que se trata de um projeto que pretende “refletir a identidade da ilha em termos da sua memória e da sua relação com a emigração”.

“Foram traçados dois objetivos: o primeiro era fazer uma dinâmica de construção que pudesse abranger o maior número de pessoas possível e fazer um trabalho com a comunidade e um espetáculo que pudesse abrir um festival internacional de teatro”, realçou Tiago de Faria.

O espetáculo, com encenação de Tiago de Faria, direção de arte de Rocío Matosas e música original de Mónica Reis, resulta do trabalho das Residências Artísticas POP – Festival das Artes e Ofícios do Espetáculo, um evento “participativo e inclusivo” que vai decorrer de 29 de novembro a 02 de dezembro, em São Miguel, e inclui atividades para todos os públicos, organizado pela Corredor – Associação Cultural de Ponta Delgada.

Terá um elenco de 31 pessoas, entre os 15 e os 70 anos, que têm de se “organizar entre si” e criarem “dinâmicas que possam subsistir numa construção do espetáculo”, num evento que terá “muitas entradas e saídas” em palco, o que permitirá criar “uma dinâmica”.

“O espetáculo passa-se numa praça, que pode ser uma qualquer praça da cidade de Ponta Delgada, mas também podia ser uma praça da ilha de São Miguel”, concretizou Tiago de Faria, acrescentando que num primeiro momento é transmitida “uma memória coletiva” de São Miguel, a partir de entrevistas realizadas em Ponta Delgada e em Vila Franca do Campo, que permite retratar a ilha “no primeiro grande pico de emigração”.

No segundo momento, ocorre um salto temporal para a vivência atual das perspetivas futuras das pessoas.

“E tudo isto acontece da forma como os corpos habitam a praça”, explicou.

A parte plástica é vital no espetáculo e, segundo Rocío Matosas, coorganizadora do festival e diretora de arte do espetáculo, trata-se de um projeto com “uma importante participação” da comunidade de São Miguel, mas também dos visitantes.

“Implica toda a ilha de São Miguel e é aberto para o turista que encontra aqui um ponto de cultura, de desabrochar da criatividade”, sustentou Rocío Matosas, evidenciando que o espetáculo foi criado com recurso “a materiais muito económicos e reutilizáveis”.

Ema Gonçalves, presidente da Associação de Surdos da Ilha de São Miguel, parceira do evento, integrada no elenco do festival, sublinhou a importância de participar num projeto do género, que tem sido “diferente e gratificante”, lembrando a participação noutras iniciativas culturais, como o festival Tremor, que decorre anualmente na maior ilha açoriana.

Paula Coelho, em representação da Corredor, reiterou que se trata de um espetáculo que se preocupa com a inclusão, seja na parte plástica, dramaturga, como no elenco, num “esforço coletivo”.