O secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural dos Açores, António Ventura, defendeu hoje que é preciso combater campanhas de desinformação contra o consumo de agroalimentos, como o leite e a carne.

“Isto acontece: ‘o leite faz mal à saúde, a carne faz mal à saúde’. Nada mais errado. Esta campanha organizada por muitos países existe, chegou às nossas escolas. Enquanto profissionais e enquanto políticos temos de a combater”, afirmou o titular da pasta da Agricultura nos Açores.

O governante falava em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na sessão de abertura da 23.ª edição do Congresso Nacional de Zootecnia.

António Ventura, engenheiro zootécnico de formação, alertou para as “campanhas contra a alimentação”, que “atentam contra aquilo que não faz mal à saúde humana” e que “é nutritivo e fundamental”.

“A desinformação da sociedade é um dos obstáculos que, todos, com responsabilidade e abrangência, temos, hoje em dia, de atacar, no sentido de evitar que ela ganhe terreno, que ganhe nas nossas escolas um conteúdo que impeça que tenhamos acesso a todos os alimentos”, vincou.

Também a presidente da Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica (APEZ), Ana Sofia Santos, considerou que um dos desafios da profissão é informar o consumidor para que não seja “levado por inverdades, mitos e questões que estão erradas”.

“Não há nenhum produtor que não goste e que não trate bem os seus animais e é impossível termos um planeta biodiverso e sustentável sem termos animais e sem termos produção animal. Os animais fazem parte do sistema agrícola. Não há agricultura sem animais”, avançou, em declarações aos jornalistas.

No primeiro congresso presencial após a pandemia de covid-19, os engenheiros zootécnicos estarão focados sobretudo nas questões da sustentabilidade, não apenas ambiental, mas social e económica.

O aumento dos custos de produção conjugado com a necessidade de “garantir o fornecimento de alimentos de elevada segurança alimentar para a população, a preços acessíveis”, é uma das principais dificuldades do setor.

“Temos desafios grandes na parte económica e social. Prevê-se, a nível europeu, que apenas um em cada três agricultores tenha quem o suceda e Portugal está dentro destes números, o nosso panorama não é diferente. Isto é muito complicado. Garantir produção agrícola e pecuária para o futuro está em causa neste momento”, alertou.

O secretário regional da Agricultura admitiu que o consumidor está “cada vez mais atento às questões ambientais e do bem estar animal”, mas disse que os Açores estão a acompanhar essa tendência.

“Nos últimos três anos, aumentámos a área de agricultura biológica para mais de 3.000 hectares, produzimos mais 600% e são mais 250% os produtores ligados à agricultura biológica”, apontou.

Numa sessão que decorreu na Universidade dos Açores, António Ventura defendeu ainda a implementação de uma “agenda para a investigação” na região, “articulada entre quem constrói a política pública, quem investiga, quem produz e quem transforma”.

“É preciso fazer mais na ligação entre a agroprodução e a ciência, entre a produção de alimentos e a investigação aplicada. Temos estabelecido alguns contratos de investigação com a Universidade dos Açores, mas é preciso algo mais consistente, mais objetivo”, explicou.

O Congresso Nacional de Zootecnia, que decorre até sábado em Angra do Heroísmo, não se realizava nos Açores desde 2008.

Pela primeira vez, em 23 edições, o número de inscrições ultrapassou as vagas disponíveis, com 170 participantes, que submeteram 106 trabalhos.

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