O projeto Santa Maria Wine Lab, da cooperativa Agromariensecoop, junta 30 produtores na recuperação da vinha tradicional daquela ilha açoriana, tendo como objetivo o lançamento de um vinho certificado até ao final do ano.

“O projeto começou em 2022 e termina a 31 dezembro de 2023. Serão duas épocas de vindima e de transformação. Já fizemos a primeira. Temos um primeiro vinho experimental e temos o objetivo de, até ao final do projeto, termos pelo menos um vinho certificado IG [Indicação Geográfica] Açores”, explicou, em declarações à agência Lusa, o presidente da Agromariensecoop – Cooperativa de Produtos Agropecuários da Ilha de Santa Maria, Duarte Moreira.

O Santa Maria Wine Lab é uma iniciativa de investigação que pretende recuperar a paisagem vínica da ilha mais oriental dos Açores, marcada pelos quartéis de pedra erguidos ao longo das encostas e que estava, em grande parte, abandonada.

“É um projeto que tem como objetivo a recuperação e preservação das paisagens protegidas da vinha de Santa Maria. Estamos a falar, essencialmente, da Maia e São Lourenço, que são as mais conhecidas, mas também de outras zonas de vinha tradicional na ilha”, afirmou.

A cultura vitivinícola em Santa Maria remonta ao povoamento da ilha, mas no século XIX várias infestações arrasaram as vinhas, tornando a produção residual.

Com financiamento do Programa Operacional 2020 e os apoios da Câmara Municipal da Vila do Porto e do Governo Regional dos Açores, a cooperativa procurou revitalizar a produção de vinho em Santa Maria, tendo já feito 24 processos de vinificação diferentes.

Apesar de os processos terem sido realizados através de várias castas, o projeto dá prioridade às “castas nobres” (como a Touriga Nacional, Fernão Pires ou Bastardo) e às “castas nobres açorianas” (Verdelho, Terrantez do Pico e Arinto dos Açores).

Atualmente, a cooperativa já tem “alguns vinhos experimentais à prova”, mas a intenção passa por organizar um festival em novembro, o Santa Maria Wine Fest, para divulgar os néctares produzidos este ano.

“A aposta, efetivamente, terá de ser pelos vinhos brancos, sem descurar algum vinho tinto. Em novembro, provavelmente, já iremos dar a provar alguns dos vinhos que serão produzidos este ano”, detalhou.

No âmbito do projeto foi contratado um enólogo que está a trabalhar na Agromariensecoop e a dar formação aos produtores.

“Esse projeto tem a componente da profissionalização do setor, quer dos produtores, quer a nossa, interna, da cooperativa, porque não tínhamos essa experiência. É um processo de aprendizagem que pretende continuar para lá de 31 dezembro de 2023 com uma adega comercial que possa recolher uva”, afirmou.

Dos cerca de 30 produtores inscritos no Santa Maria Wine Lab, 19 entregaram cerca de 11 toneladas de uva em 2022, sendo esperado um número semelhante para este ano.

“Este é um projeto experimental para ter continuidade no futuro. Queremos, através da compra da uva, ajudar os produtores a interessarem-se a requalificar a vinha em zonas tradicionais de Santa Maria”, acrescentou.