Patrícia Miranda, Deputada do PS/A na ALRAA

Estamos a entrar no mês de agosto, altura onde se vê grande parte das famílias e organizar as suas férias, o seu período de descanso para recuperar forças para um novo período de trabalho.

Por algum motivo as férias existem, são um direito e são importantes.

Na minha infância e juventude, à semelhança de muitos colegas, também filhos de agricultores, nunca tive oportunidade de passar férias com os meus pais. O meu pai sempre dizia: “O Boi engorda com o olho do dono”.

O passeio de Domingo era um piquenique entre a ordenha da manhã e a ordenha da tarde e, mesmo, quando entrei para a faculdade as “férias” eram em São Miguel e na exploração. É certo, que o fazia por gosto e, também, é certo que o trabalho nas “vacas” era e continua a ser o meu escape. Mas mesmo até para quem corre por gosto, é preciso descanso.

Nesse sentido, todos os nossos agricultores precisam de tempo para descansar. Nem falo em férias, porque todos nós conhecemos os entraves que existem para que os agricultores se possam dar a esse luxo: a dificuldade em organizar o serviço nas explorações, porque em agricultura imprevistos são quase o dia-a-dia, serviços mínimos acabam por não funcionar, há falta de mão-de-obra para assegurar o trabalho e o aumento no custo de vida, que também assola as famílias dos agricultores.

Sabemos que a vida de Agricultor é uma vida muito sujeita, a típica vida que só a abraça e tem sucesso quem de facto gosta. São 365 dias a trabalhar a céu aberto, faça sol ou faça chuva, seja Natal ou 15 de agosto.

Mas o Agricultor não espera, nem quer que a sociedade tenha pena. O Agricultor espera, quer e merece o reconhecimento da sociedade pelo seu trabalho. De quem o representa espera uma voz ativa, reivindicativa e que nunca lhe falte tempo e voz para denunciar o que está mal. De quem o governa espera soluções adequadas ao presente e com perspetiva de futuro.

De quem o governa, o Agricultor espera que as políticas adotadas sejam capazes de agilizar e corrigir as preocupações que assolam o setor. Só assim, nem que seja com menos uma preocupação, os Agricultores podem arranjar tempo para descansar.

Hoje, mais do nunca, para além de um rendimento justo os Agricultores precisam de tempo.

Tempo para gerir o seu negócio, tempo para evoluir, tempo para pensar, tempo para refletir, tempo para se renovar, tempo para descansar.

Acima de tudo, tempo para viver!

PUB