Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Se há coisa que carateriza os Açores é o seu clima – ameno, inconstante, agreste. A geografia funde o céu com o nosso mar, em tons de azul ou cinza carregado, em qualquer dia do ano. Sabemos ao que vem a aragem de cada manhã e pouco nos importamos com o que se lhe segue, mesmo as inevitáveis alterações climáticas e os seus fenómenos graves e repentinos, que num instante deitam a perder o que levou anos a fio a erguer. Seja o que Deus quiser. Nas Suas mãos fica o nosso destino, como sempre em oitocentos anos de presença aqui. Jamais nos vergámos à inclemência da natureza.

Em qualquer caso, somos geneticamente insatisfeitos com o estado do tempo. Ora nos aflige a seca, logo diabolizamos a abundância de chuva, mais o vento e o bafio da saturação atmosférica. Por alguma razão Nemésio asseverou que para nós a geografia vale outro tanto como a história. E daí que em todas as ilhas abunde sabedoria sobre o clima, muitas vezes traduzida em provérbios de grande profundidade, outras em dizeres que espantam os forasteiros… confundidos pela ausência do nosso famoso anticiclone.

Este ano plantou-se-nos o inverno à roda das ilhas. Como há muitos anos me diz um amigo continental que escolheu aqui viver, os Açores são tão bons que até o inverno cá vem fazer férias. Bem nos esforçamos por dar um tom diferente à pigmentação, sinceramente, exibir o bronzeado, mais aquela roupa comprada para a força do estio. Também foi para isso que sujeitámos o corpo à dieta rigorosa e ao exercício devotado.

Se não for agora fica para depois. O verão de São Martinho já vem lá.