O PS/Açores criticou hoje o aterro de 1.300 toneladas de resíduos de matéria orgânica estabilizada não crivada nas Flores, alertando que o composto “está muito contaminado”, mas o Governo Regional acusou os socialistas de estarem a fazer “demagogia”.

“No local é percetível que o composto ainda está contaminado. Ainda tem grande percentagem de plástico e de cápsulas. Ainda está muito contaminado para ser enterrado. O PS não concorda com o aterro da maneira que o composto está”, declarou a deputada socialista Joana Pombo Tavares.

A deputada do PS/Açores falava na comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do parlamento açoriano, durante a audição do secretário do Ambiente, requerida pelos socialistas devido à decisão do executivo de aterrar 1.300 toneladas de lixo na ilha das Flores.

Na reunião, a deputada do maior partido da oposição no parlamento açoriano defendeu que o composto “tem de ser crivado novamente” e criticou a “comunicação alarmista” do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).

“Em abril, já tínhamos o navio ‘Margarethe’ na região. Havia barcos de tráfego local para poderem ser contratados, ou seja, havia alternativas, contrariamente àquilo que o senhor presidente do governo anunciou”, disse.

Na resposta, o secretário do Ambiente e Alterações Climáticas, Alonso Miguel, insistiu que “não existem alternativas” e criticou a “desinformação” e a “demagogia” do PS.

“A demagogia ultrapassou todos os limites porque muito recentemente o PS, enquanto governo, utilizou precisamente a mesma prerrogativa para fazer o aterro de lixo indiferenciado”, afirmou.

Ainda segundo Alonso Miguel, o Centro de Processamento de Resíduos (CPR) das Flores corria o risco de ser encerrado por “inoperacionalidade”, o que levaria a um “problema impossível de resolver”.

“O composto tem fragmentos de plásticos, com certeza que tem. Se fosse composto triado nós não estaríamos aqui. Já estaria a ser distribuído nos quintais dos florentinos ou nos terrenos dos agricultores. Estamos aqui porque este composto não está crivado”, declarou.

O governante recordou ainda que, “nas situações atuais, tendo havido a necessidade de colocar refugo dentro do CPR, só se podem fazer crivagens aos sábados”, ou seja, “seriam necessários 40 sábados para crivar o material”.

Questionado pelo deputado do PAN, Pedro Neves, se o resíduo destinado a aterro não podia ser exportado após a desinfestação de que vai ser alvo, o secretário regional explicou que “essa desinfetação é eficaz apenas para não contaminar os resíduos que estão dentro do CPR”.

“Não é possível desinfestar o ‘bolo’ todo. A desinfestação não vai eliminar as baratas”, justificou Alonso Miguel na resposta.

Pelo BE, António Lima alertou, por outro lado, para a importância de existirem medidas de mitigação do aterro, como a impermeabilização do solo, enquanto o deputado do PPM Gustavo Alves considerou que é uma “decisão de último recurso”, que “não é assim tão má para o ambiente”.

Em defesa do executivo, o parlamentar do CDS-PP Pedro Pinto considerou que o Governo Regional está a ser criticado pela oposição “por estar a governar” e o deputado do PSD Ricardo Vieira salientou que as “decisões difíceis têm de ser tomadas”.

Na quarta-feira, o Governo dos Açores revelou que o aterro de 1.300 toneladas de resíduos de matéria orgânica estabilizada não crivada nas Flores vai acontecer na zona da Saibreira da Boca da Baleia das Lajes.

Em causa está a precariedade do porto comercial da ilha, que foi seriamente danificado em novembro de 2019 pela passagem do furação Lorenzo e, em dezembro de 2022, pela tempestade Efrain, impedindo o escoamento de resíduos.