O Governo dos Açores revelou hoje que pretende agilizar a atribuição de incentivos à fixação de médicos na região, processo que tem sido “algo moroso”, adiantando que vão ser contratados profissionais para os três hospitais da região.

“Há sempre uma preocupação com os incentivos à fixação de médicos na região. Obviamente que é um assunto que a secretaria regional está atenta. Infelizmente, o processo de incentivo à atribuição tem sido algo moroso. Isso é algo que nós queremos corrigir”, afirmou a secretária regional da Saúde, Mónica Seidi.

Reconhecendo que a necessidade de agilizar o processo de atribuição dos incentivos já foi identificada, Mónica Seidi insistiu que é preciso conseguir “reter os profissionais que têm direito a esse subsidio”.

A titular da pasta da Saúde do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), que falava na sede da Ordem dos Médicos nos Açores, em Ponta Delgada, após uma reunião com a direção do Conselho Médico da região, adiantou ainda que espera retomar as negociações com os sindicatos no final do mês, tendo em vista uma possível revisão dos incentivos à fixação dos médicos.

“Temos abertura para falar com os sindicatos e tentar identificar as áreas que são necessárias de correção e para também perceber, dentro da responsabilidade e do esforço financeiro que o governo possui, que outras alterações se possam vir a fazer”, afirmou.

A secretária regional destacou que dos nove internos que concluíram o concurso de especialidade no Hospital Divino Espírito Santo em Ponta Delgada, seis vão ser integrados no Serviço Regional de Saúde.

Ainda segundo Mónica Seidi, vão abrir sete vagas na Unidade de Saúde da ilha de São Miguel, enquanto no Hospital de Santo Espírito (na ilha Terceira) vão ser integrados cinco médicos e para o Hospital da Horta existe a intenção de abrir “10 vagas para diferentes especialidades”.

“Temos previsto 25 vagas de âmbito hospitalar e também a nível de cuidados de saúde primários. Uma vez que os concursos no âmbito da medicina geral e familiar terminaram recentemente, temos também previsto cerca de 30 vagas”, salientou.

O presidente da direção da Ordem dos Médicos nos Açores, que elogiou a “abertura plena” da secretária regional na primeira reunião presencial entre a Ordem e Mónica Seidi (que tomou posse em março), sugeriu ainda a criação de vínculos associados à idoneidade formativa como forma de fixar médicos nos Açores.

“Nós temos vários serviços com idoneidade formativa, o que nos orgulha muito. Os colegas que fazem essa idoneidade formativa desfrutam das regalias e dos contactos custeados por nós, acabam e não têm nenhum vínculo para ficar. Sugeri que tivessem um compromisso de três a cinco anos”, revelou.

Em janeiro de 2022, foi publicado o novo regime de fixação de médicos nos Açores, que contempla incentivos monetários entre 35 e 45%, apoio à formação, à renda da casa e deslocação da família, bens e viatura, escola para os filhos e vantagens para cônjuges.