Embaixadora do Canadá, Elise Racicot
Por: Liliana da Silva Costa

O Jardim Botânico José do Canto acolheu esta quinta-feira (29), uma cerimónia onde se festejou o dia do Canadá e os 70 anos de emigração portuguesa oficial, uma iniciativa da embaixadora do Canadá, Elise Racicot.

No dia do Canadá, a embaixadora salienta que a comunidade açoriana tem uma grande influência no país, quer seja na gastronomia como nas tradições que se transpuseram no outro lado Atlântico. “Os açorianos que estão no Canadá são muito envolvidos, têm uma contribuição muito forte e uma parte da identidade do Canadá é também açoriana” contou Elise ao Açores 9.

Elise Racicot aponta que uma das maiores contribuições do povo açoriano para o Canadá foi a construção de uma relação mais ampla com Portugal, mas também com a Europa. “Uma parte muito forte da nossa relação com a Europa veio do mar (…) e veio através dos Açores em grande parte” disse a embaixadora em entrevista ao Açores 9.

A embaixadora do Canadá falou no acordo de mobilidade da juventude assinado com o governo regional em 2018, que permite aos jovens de ambas as regiões estudar e trabalhar reforçando assim, os laços com as nove ilhas dos Açores. No entanto, com a pandemia em 2020, este acordo acabou por não ter os resultados desejados. Elise acredita que este acordo tem muito potencial e que daqui para a frente muitos canadianos podem vir viver para o arquipélago, durante um determinado período de tempo para aquele que é o “ponto com qual o Canadá tem mais vínculo com Portugal” e vice-versa.

O vice-presidente do governo regional Artur Lima, marcou presença para assinalar este dia juntamente, com outras personalidades do governo e diretores regionais. Artur Lima mencionou que este dia já pertence aos açorianos uma vez que, “cerca de 65% da comunidade portuguesa no Canadá é dos Açores”.

Durante o seu discurso, o vice-presidente deixou a intenção do governo regional “estabelecer e estreitar os nossos laços de cooperação entre os Açores e o Canadá.” Artur Lima acrescentou que a partir dos voos das duas ilhas, São Miguel e Terceira, com ligação direta com o Canadá, verifica-se “a comunidade açoriana no Canadá e a estima que o povo do Canadá tem pelo povo dos Açores”.

Apesar de o povo açoriano ter marcado a sua presença há sensivelmente 500 anos atrás, no segundo maior país do mundo, a emigração portuguesa oficial só foi reconhecida na década de 53, época do Salazarismo em Portugal.

O evento contou com uma exposição do museu de emigração açoriana intitulada “Diáspora no feminino- entre linha e pontos: o alfabeto das esquecidas” da autoria de Humberta Araújo e um painel de fotografias que reunia vários acontecimentos marcantes, ao longo das sete décadas de emigração.

O diretor do museu da emigração açoriana, Rui Faria também esteve presente no evento e falou do trabalho de Humberta Araújo, numa exposição que mostra o “antigo e a herança deixada”, virada para “o destaque para a mulher” ressaltando, que muitas mulheres da época da emigração “massiva” para o Canadá, não ficavam viúvas, mas “acenavam pela última vez”.

A cantora canadiana Tammy Weis

A cantora canadiana Tammy Weis que reside em Lisboa, marcou presença e proporcionou um momento musical onde apresentou algumas das músicas do seu novo álbum “Soul Whisper” com influências da poesia de Fernando Pessoa, encerrando a celebração.

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