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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter discutido na sexta-feira o destino da cidade portuária sitiada de Mariupol numa reunião com os dirigentes militares e os diretores das agências de serviços secretos da Ucrânia.

“Os pormenores não podem ser divulgados agora, mas estamos a fazer tudo o que podemos para salvar o nosso povo”, declarou Zelensky na sua mensagem de vídeo noturna à nação.

Também no sul da Ucrânia, o chefe de Estado disse que as tropas russas que ocupam áreas à volta de Kherson e Zaporijia estão a aterrorizar civis e à procura de pessoas que tenham servido no exército ou no Governo ucranianos.

“Os ocupantes pensam que isso tornará mais fácil para eles controlar este território. Mas estão muito enganados. Estão a enganar-se a si mesmos”, observou.

E acrescentou ainda: “O problema dos ocupantes não é não serem aceites por alguns ativistas, veteranos ou jornalistas. O problema da Rússia é que ela não é aceite — e nunca será — pela totalidade do povo ucraniano. A Rússia perdeu a Ucrânia para sempre”.

Entretanto, o diretor da CIA (agência de serviços secretos externos norte-americana), William Burns, afirmou que ninguém “deve encarar de ânimo leve” a ameaça da Rússia de usar armas nucleares táticas ou de baixo rendimento na Ucrânia, embora não tenha visto “indícios práticos” que sugiram que tal possa estar iminente.

Falando no Instituto de Tecnologia do Estado norte-americano da Geórgia na quinta-feira, Burns disse que o “provável desespero” dos líderes russos de mostrar uma vitória na Ucrânia aumenta o risco do uso de armas nucleares.

“Nenhum de nós deve encarar de ânimo leve a ameaça colocada pelo potencial recurso a armas nucleares táticas ou de baixo rendimento. Nós não o fazemos”, sublinhou o diretor da CIA.

A ofensiva militar lançada na madrugada de 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU — a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e “desmilitarizar” a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 52.º dia, já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

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