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“Deliberou a mesa administrativa da SCMAH solicitar à senhora vice-provedora que retome as suas funções, atendendo a que é a responsável pelos recursos humanos da instituição, para além das restantes responsabilidades inerentes ao cargo para que foi eleita”, adiantou a direção da instituição, em comunicado de imprensa.

Contactado pela Lusa, o provedor da instituição, Bento Barcelos, disse que Lucília Fagundes já tinha aceitado o pedido e iria retomar as suas funções como vice-provedora.

Em comunicado de imprensa, os mesários da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo assinalaram que já se realizaram “diligências inspetivas” por parte da Inspeção Regional da Saúde, em abril e maio, e lamentaram que ainda não existam conclusões desse processo.

“Seria expectável que a conclusão da ação inspetiva se tivesse verificado, volvidos que estão cinco meses do início deste penoso processo, não obstante ter sido feito o reforço da celeridade para a conclusão da ação inspetiva através de ofícios mais recentes, contactos telefónicos e audiências”, avançaram.

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Por outro lado, consideraram “manifestamente injusto” que só a vice-provedora da SCMAH mantivesse as suas funções suspensas, tendo em conta que mesários e dirigentes de outras instituições foram igualmente inoculados contra a covid-19, por serem colaboradores dessas instituições, “mantendo as suas funções”.

Em fevereiro, surgiram suspeitas de vacinação indevida contra a covid-19 em algumas instituições nos Açores, incluindo a Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo.

Entre os envolvidos estava a então vice-provedora da instituição, Lucília Fagundes, que tinha sido, entretanto, nomeada diretora regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social.

Na altura, Lucília Fagundes disse que foi vacinada no dia 31 de dezembro de 2020, porque tinham sobrado “duas doses da vacina”, na sequência da desistência de “dois dos colaboradores”, e que essas doses “se inutilizariam caso não fossem administradas no espaço de 15 minutos”.

“Como responsável pelos recursos humanos da instituição, cargo que desempenho em regime de voluntariado, e, consequentemente, sendo a mesária que mantém contactos diretos regulares com os funcionários, utentes e as suas famílias, e porque também os trabalhadores administrativos da instituição, que têm exatamente o mesmo contacto que mantenho com os utentes e colaboradores, foram vacinados na sequência das orientações emanadas da USIT, concordei, tendo em conta o contexto especial da instituição, em ser vacinada”, revelou, no dia 06 de fevereiro, em conferência de imprensa.

A vice-provedora anunciou na altura a suspensão de funções “até à conclusão da investigação dos factos” e, dias depois, pediu demissão do cargo de diretora regional.

O secretário regional da Saúde dos Açores, Clélio Meneses, determinou no dia 08 de fevereiro a realização de uma ação inspetiva da Inspeção Regional da Saúde ao processo de vacinação contra a covid-19 na região, “no sentido de apurar os factos relativos a vacinas e de eventuais responsabilidades, por alegadas administrações indevidas”.

Questionado em julho, sobre o resultado destas ações inspetivas, Clélio Meneses disse que “pelo facto de abrangerem muitos serviços e muitas entidades” estavam ainda “a decorrer de acordo com os trâmites normais”.

A vacinação contra a covid-19 iniciou-se nos Açores, em 31 de dezembro, pelos lares de idosos nas ilhas Terceira e São Miguel.

Até 08 de julho foram administradas na região 250.705 doses de vacinas contra a covid-19, havendo 129.190 pessoas com, pelo menos, uma dose (53,21% da população) e 121.515 pessoas com vacinação completa (50,05%).

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