Verdes apontam preferência para legislativas em 06 ou 13 de outubro

Heloísa Apolónia

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) defendeu hoje que as eleições legislativas de 2019 se devem realizar em 06 ou 13 de outubro, em audiência com o Presidente da República, datas que consideram assegurar o tempo necessário de debate.

No final de uma audiência de mais de uma hora com Marcelo Rebelo de Sousa, a deputada e dirigente do PEV Heloísa Apolónia revelou que o partido indicou estas duas datas ao chefe de Estado, sem preferência por uma delas.

“Mesmo a esta distância, de acordo com a avaliação que fizemos, designadamente do afastamento necessário das legislativas da Madeira e o necessário período de esclarecimento e debate de ideias, indicámos as datas de 06 ou 13 de outubro”, afirmou.

Heloísa Apolónia esteve acompanhada em Belém pelos dirigentes d'”Os Verdes” José Luís Ferreira, também deputado, e Mariana Silva.

“Eliminámos o 29 de setembro, que nos parecia manifestamente curto para a campanha eleitoral, que se quer com debate e esclarecimento”, explicou.

Na audiência com o chefe de Estado, a deputada ecologista deu ainda conta das preocupações do partido relativamente à forma da construção europeia e com o “nível de investimento não satisfatório” com que o país chegará ao final da atual legislatura.

Os Verdes transmitiram também ao chefe de Estado que não abdicarão da luta pela contagem do tempo integral de serviço para as carreiras especiais da função pública, em que se incluem os professores.

“Há aqui várias entidades que terão de ter uma palavra na matéria”, afirmou, escusando-se a adiantar o que lhe foi transmitido sobre esta questão pelo chefe de Estado.

Em matéria europeia, Heloísa Apolónia lamentou que os vários Governos, incluindo o português, “estejam tão amarrados a determinados números”, como o do défice, considerando que tal prejudicou o país em várias áreas.

“A título de exemplo, nesta legislatura ficaremos – pese embora o contributo que demos para que se avançasse no investimento da ferrovia – com um nível de investimento não satisfatório relativamente às necessidades do país”, afirmou, apontando a saúde e educação como outras áreas que necessitam de reforço de investimento.

Apesar das críticas, a deputada do PEV — um dos partidos que apoiou, tal como PCP e BE, o atual Governo PS através de posições políticas conjuntas — elogiou a “experiência nova na democracia” que constituiu a atual solução governativa.

“Esta solução demonstrou que não há inevitabilidade em política, há escolhas em política que demonstram para quem queremos governar”, realçou.

Quanto às próximas eleições europeias, Heloísa Apolónia reiterou que o partido integrará, como habitualmente, a lista da Coligação Democrática Unitária (CDU), com o PCP.

“Será em lugar elegível se os eleitores entenderem, quanto mais reforço no Parlamento Europeu a CDU tiver, melhor será para os interesses do país” afirmou, admitindo que “seria muito importante ter uma voz ecologista verde portuguesa” em Estrasburgo.

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe os sete partidos com assento parlamentar no Palácio de Belém entre hoje e quinta-feira, “no quadro dos contactos regulares com os partidos políticos com representação parlamentar”.

Marcelo Rebelo de Sousa fixou reuniões por ordem crescente de representação na Assembleia da República, recebendo PAN, PEV e PCP entre as 14:00 e as 16:00 de hoje, e depois BE, CDS-PP, PS e PSD entre as 14:00 e as 17:00 de quinta-feira.

O PAN defendeu a realização das eleições legislativas em 06 de outubro.

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