O porta-voz da Casa Branca, Judd Deere, declinou revelar o conteúdo da missiva ou mesmo a caracterizar o sentimento contido na mensagem que o republicano Trump deixou ao democrata Biden, alegando a necessária privacidade na comunicação entre Presidentes.

A carta foi deixada na Sala Oval e é uma tradição na transição de Presidentes, tendo Trump recebido a do seu antecessor, Barack Obama, há quatro anos.

“Somos apenas ocupantes temporários deste cargo. Isso faz de nós guardiões das instituições e das tradições democráticas, como a do Estado de Direito, a separação de poderes e a proteção dos direitos cívicos pelos quais os nossos antecessores se bateram”, escreveu então Obama.

“Boa sorte”, concluiu Obama, manifestando-se pronto a ajudar “seja de que maneira for”.

Entre todas as outras cartas escritas de presidente para presidente, a deixada em 20 de janeiro de 1993 pelo republicano George H. W. Bush ao seu sucessor democrata, Bill Clinton, marcou o espírito da iniciativa pela sua dignidade e classe.

Evocando o seu “sentimento de admiração e espanto” ao entrar na prestigiosa Sala Oval quatro anos antes, George H. W. Bush acrescentou: “Haverá alguns momentos muito difíceis […], mas não deixe os críticos detê-lo ou fazê-lo mudar de rumo”.

“Será o NOSSO Presidente quando ler estas linhas. Apoio-o totalmente. Boa sorte”, acrescentou aquele que foi o 41.º Presidente dos Estados Unidos.

Trump recusou sempre conceder a vitória das presidenciais norte-americanas de 03 de novembro de 2020 a Biden, que é hoje empossado, e nem sequer mencionou o nome do Presidente eleito nos dois discursos de despedida da Casa Branca.

Trump rompeu com muitas tradições da Presidência, inclusive por não comparecer à posse de Biden e também não o convidou Biden para uma reunião na Casa Branca depois de o adversário ter sido declarado o vencedor das presidenciais.

Trump deixou, na manhã desta quarta-feira, a Casa Branca pela última vez como Presidente dos Estados Unidos.