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A vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles defendeu hoje que no partido “todos estão confortáveis” com a matriz democrata-cristã, que só é defendida se houver pragmatismo para ser traduzida em propostas concretas.

“No partido creio que todos estão confortáveis com essa matriz democrata-cristã e honram essa vivência no dia-a-dia. Não é apenas uma memória, é uma vivência do dia-a-dia”, afirmou Cecília Meireles em entrevista à Lusa antes do 27.º Congresso, que se realiza no sábado e domingo, em Lamego.

A vice-presidente centrista considera que o partido tem mostrado competência de equipa e recusa a crítica de Filipe Lobo D’Ávila de que há uma excessiva concentração na presidente, Assunção Cristas. Considera ainda que a Juventude Popular tem mérito para estar representada no grupo parlamentar e defende o atual método de eleição da liderança em Congresso, argumentando que é menos vulnerável a “sindicatos de voto” do que eleições diretas.

Cecília Meireles disse acompanhar “com perplexidade” a discussão em curso sobre um alegado pragmatismo da atual liderança por comparação a uma atuação mais vincadamente doutrinária, pedida pela nova tendência “Esperança em Movimento” (TEM) ou por figuras da ala de Filipe Lobo D’Ávila, que encabeçou uma lista alternativa ao Conselho Nacional no último Congresso.

“Termos um partido aberto, em que todos são bem-vindos, um partido que quer captar novos militantes, novos simpatizantes, um partido que quer falar a muitas pessoas que hoje estão desencantadas com a política, desinteressadas – não é por acaso que a abstenção é crescente – não creio que isso signifique de maneira nenhuma abandonarmos quer os nossos ideais quer a nossa matriz, assinalou.

“Preocupar-me-ia se ouvisse militantes do CDS dizer ‘não nos identificamos com as propostas, achamos que vai contra a nossa matriz ideológica, que vai contra as nossas convicções’. Eu não tenho visto isso, tenho visto apenas uma acusação de que o partido está mais pragmático”, defendeu Cecília Meireles.

Para a vice-presidente centrista, a forma de manter “viva quer a matriz democrata-cristã, quer as ideias do partido”, é precisamente atrair mais pessoas ao CDS, partido que, historicamente, tem vindo a congregar democratas-cristãos, conservadores e liberais.

“Nós queremos trazer cada vez mais pessoas a pensar como nós. Isso não é uma ideia inovadora no partido, sequer”, disse, citando um antigo ‘slogan’ de Paulo Portas.

De acordo com Cecília Meireles, “a política não pode ser uma discussão de ideologias sem concretizações práticas, pelo contrário, é precisamente juntar as duas coisas”.

A dirigente do CDS disse ter ouvido com atenção e consideração a crítica que o deputado Filipe Lobo D’Ávila teceu à vida interna do partido, numa entrevista ao Público na terça-feira, mas considera que “não é justa”.

“Não é verdade que o partido esteja excessivamente concentrado na líder. Quem assiste a tudo o que foi a ação do partido nos últimos dois anos percebe que em cada momento houve muitos protagonistas e muito diferentes. Se há coisa que o CDS tem mostrado é que tem equipas capazes quer de estudarem os assuntos quer de apresentarem medidas. O próprio Filipe faz isso aqui no parlamento”, disse.

Cecília Meireles argumentou que essa ideia de uma excessiva concentração no líder já é antiga, referindo-se a Paulo Portas, e considera que “já nessa altura se percebeu que a crítica não era verdadeira”.

Perante uma reunião magna à qual são levadas diversas moções de estratégia global a pedir que o partido retome a eleição da liderança em diretas, Cecília Meireles defende que depois de se ter experimentado os dois métodos, percebeu-se que eleger as direções em Congresso permite “um debate muitíssimo mais aprofundado de ideias e até mais democraticidade interna”.

“O método de eleição direta tem um lado bom, que é todos os militantes pronunciarem-se, mas também tem um lado, que tem a ver com o funcionamento interno dos partidos, e temos visto alguns exemplos de um funcionamento que tem a ver com sindicatos de voto e com algumas práticas que poderiam, eventualmente, numas diretas acontecer e que não seriam o método mais democrático”, sustentou.

Em 2011, o CDS voltou a estabelecer a eleição da liderança em Congresso, tornando-se o primeiro partido a recuar no método de eleição direta que tinha sido instituído em 2006 por José Ribeiro e Castro.

Apesar de defender que as escolhas são “feitas de uma forma mais lúcida e mais informada” em Congresso, Cecília Meireles admitiu que no futuro possa vir a fazer sentido voltar a diretas ou mesmo abrir a participação a simpatizantes, com eleições primárias, por exemplo.

Questionada sobre a proposta da Juventude Popular na sua moção ao Congresso para voltar a ter um representante em lugar elegível nas listas à Assembleia da República, a dirigente do CDS considerou “absolutamente normal que a JP esteja representada e não precisa de quotas para isso, basta-lhe o mérito que tem mostrado”.

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