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O PS saiu unido do seu 22.º Congresso Nacional, com uma direção e uma estratégia relegitimadas por ampla maioria, mas sem mexer no posicionamento ideológico ou afastar-se dos parceiros de esquerda.

António Costa, o secretário-geral do PS reeleito nas diretas de 12 e 13 de maio com 96% dos votos, foi aclamado por todos os delegados que intervieram na Batalha, distrito de Leiria, até mesmo pelo seu único adversário direto, Daniel Adrião, cuja lista para a Comissão Nacional conseguiu 11% dos votos.

Em três dias de intervenções e votações, o eurodeputado e ex-líder parlamentar do PS Francisco Assis foi a única voz a reafirmar a sua contestação aos acordos à esquerda e a dizer que Costa seria “muito melhor primeiro-ministro” se estivesse a governar apenas com o apoio do seu partido.

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Os 86,6% de votos alcançados pela lista de António Costa para a Comissão Nacional — o órgão máximo do partido entre congressos — espelham a ampla maioria que a estratégia do secretário-geral granjeou entre os congressistas.

Com o antigo líder recentemente desfiliado José Sócrates ausente, até mesmo nas intervenções, embora muito aplaudido quando a sua imagem surgiu no primeiro dia no ecrã panorâmico que enchia o palco da Exposalão, da Batalha, o ‘suspense’ do congresso recaiu no posicionamento ideológico do partido.

O histórico e ex-candidato presidencial Manuel Alegre e o secretário de Estado Pedro Nuno Santos, por muitos analistas colocado na linha da sucessão do líder, foram os ‘campeões’ dos aplausos, a par do atual ministro das Finanças, Mário Centeno, e de José Sócrates.

Alegre advertiu que “uma viragem à direita representaria um risco de morte para o PS, porque o Bloco Central empobrece a democracia e o ‘centrão’, hoje, em qualquer lado do mundo, significa empobrecimento do sistema e a ascensão do populismo”, arrancando um forte aplauso da sala.

Também Pedro Nuno Santos foi ovacionado ao questionar a chamada ‘terceira via’ e realçar que a defesa do serviço público e do direito ao trabalho “não é radicalismo, é ser socialista”.

Mas, Costa deixou claro que as notícias sobre a sua sucessão eram manifestamente exageradas, brincando com o caso: “Ainda não estou a pensar meter os papéis para a reforma”.

Outra das ‘estrelas’ do pavilhão de exposições da Batalha foi a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, que voltou a ser lançada para o cargo por António Costa e arrancou um forte aplauso dos delegados.

Carlos César, reeleito presidente do PS, conduziu os trabalhos do Congresso com exigência, mas alguma tolerância, e foi dos primeiros a deixar marca, ao prometer legislação para reforçar a transparência da vida pública, mesmo que venha a ter oposição no interior do partido.

Uma marca previsível nos congressos são as intervenções do líder e na Batalha não foi exceção.

António Costa prometeu dar tudo para vencer pela primeira vez as eleições regionais na Madeira — o único sufrágio que o PS nunca ganhou — e medidas no Orçamento de 2019 para trazer de volta os emigrantes que deixaram o país durante o período da crise económica de 2010-2015.

O líder socialista anunciou também uma proposta de lei para limitar ainda mais a celebração de contratos a termo para jovens à procura do primeiro emprego e pediu um acordo de concertação social em torno de horários de trabalho, tendo em vista conciliar a vida profissional com a familiar.

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