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O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio, Hotelaria e Turismo dos Açores, reuniu com os deputados eleitos pela Ilha Terceira do BE, do CDS, do PSD e do PS e com representantes do Iniciativa Liberal e do PCP, para apresentar a sua preocupação com a situação dos trabalhadores açorianos do setor privado, nomeadamente com os trabalhadores que exercem a sua atividade no ramo do comércio e grande distribuição, nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa.

Os trabalhadores do comércio e das empresas de grande distribuição, como são o caso dos trabalhadores dos super e hipermercados das Ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa não tem contrato coletivo de trabalho desde 2019.

Este setor de atividade paga salários muito baixos, por isso são cada vez mais os trabalhadores do setor do comércio, que recebem apenas o salário minino praticado na região.

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Os horários de trabalho praticados no setor são instáveis e desregulados, não assegurando a conciliação da atividade profissional com a vida pessoal e familiar dos trabalhadores. Devido à falta de trabalhadores nas diversas secções, os ritmos de trabalho são muito intensos e põem em causa, de forma grave, a saúde dos trabalhadores e a qualidade de serviço. Além disso, as empresas não valorizam o trabalho prestado ao fim de semana. Tudo isto leva, a que sejam cada vez mais os trabalhadores efetivos, a demitir-se nos super e hipermercados da Ilha Terceira e a mudar de profissão e de setor de atividade.

Face a este conjunto de dificuldades o SITACEHT/Açores e os trabalhadores exigem um contrato coletivo de trabalho que dignifique e respeite os trabalhadores, tendo já sido comunicado à Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, a intenção do pedido de conciliação do processo negocial, para a Direção dos Serviços do Trabalho.

Os trabalhadores reivindicam a valorização das carreiras e das profissões, a reposição dos valores pagos por trabalho suplementar, o pagamento de diuturnidades e do subsídio de alimentação, o reconhecimento das características penosas específicas do trabalho noturno e por turnos, devendo este ser limitado às situações que sejam técnica e socialmente justificadas e os trabalhadores neste regime de trabalho serem devidamente compensados.

Reivindicam também a valorização geral dos salários, não só por razões de justiça social e de uma mais justa distribuição da riqueza, mas também por razões de carácter económico, uma vez que assume especial importância no aumento do poder de compra, na dinamização da economia e do mercado interno e no aumento da receita da segurança social.

Reivindicam ter tempo para viver, com horários dignos, pondo fim à desregulação dos horários de trabalho.

Reivindicam também o firme combate à precariedade, defendo a criação de emprego com direitos, que além de combater o desemprego significará também a dinamização da produção regional, combatendo dependências externas e produzindo cá o que nos impuseram comprar lá fora.

E neste tempo de grande desenvolvimento tecnológico, nada justifica que se mantenham e aumentem os ritmos e tempo de trabalho, ou que os horários sejam cada vez mais desregulados, como pretende a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo. O que se exige é que as 35 horas sejam o limite máximo do horário de trabalho semanal, sem perda de retribuição e horários regulados.

A ciência e a tecnologia, em si produto do trabalho, tem de ser postas ao serviço do bem-estar, da libertação de tempo de trabalho, para que cada trabalhador tenha mais tempo para si, para usufruir da cultura e do lazer, para o desporto ou o convívio, para a sua vida pessoal e familiar.

Não aceitamos aquilo em que alguns querem transformar a sociedade, querem produzir com meios do século XXI, pagar salários do século XX e remeter os restantes direitos dos trabalhadores para o século XIX.

Os trabalhadores do comércio da Ilha Terceira já demonstraram a sua disponibilidade para a luta, com uma manifestação no passado dia 10 de outubro e estão dispostos a dar seguimento à luta na rua, com o seu sindicato. No caso das reivindicações dos trabalhadores não serem atendidas teremos de avançar com outras formas de luta.

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