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“Nesta casa, abstive-me porque estávamos perante uma possibilidade de uma crise política na legislatura 96/2000. Eu e o PSD abstivemo-nos perante a possibilidade de uma crise política”, declarou o governante.

Duarte Freitas falava na discussão do Plano e Orçamento para 2022, que decorre na Assembleia Regional, na cidade da Horta.

O secretário regional, que liderou o PSD/Açores entre 2013 e 2018, salientou também que os sociais-democratas se abstiveram no orçamento de 2013 e 2014 devido à “grande crise económica e social” de então.

“Agora que estamos numa enorme crise económica e social e com o risco de uma crise política, os senhores, em vez de defender os Açores, cavalgam os vossos interesses e as vossas mágoas”, atirou Duarte Freitas, dirigindo-se à bancada socialista.

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A intervenção surgiu depois de o deputado do PS Berto Messias ter expressado “estranheza” pela posição do PSD, que “rasgou as vestes” após o PS ter anunciado o voto contra no Orçamento antes do debate.

“O PSD, nos últimos oito anos, anunciou sempre antes do plenário que iria votar contra o Plano e Orçamento do PS”, declarou o socialista.

Antes, Duarte Freitas tinha anunciado que a secretaria que tutela já executou 86% do Plano para este ano.

“Se expurgarmos as medidas covid-19 de 2021 e o arrasto de cerca de sete milhões de euros para 2022, verificamos que as verbas alocadas ao emprego e qualificação profissional no Plano para o próximo ano crescem cerca de 11 milhões de euros”, declarou.

No debate, o deputado do PS Vílson Ponte Gomes salientou que os Açores estão com uma taxa de desemprego de 6,9%, uma taxa “acima da média nacional”, enquanto, “há um ano”, o desemprego nos Açores “era inferior à média nacional”.

O parlamentar do PSD Joaquim Machado destacou, quanto ao desemprego, que “durante 10 trimestres, entre 2017 e até ao terceiro trimestre de 2019, os Açores tiveram uma taxa superior à média nacional”, altura em que o PS governou a região.

O deputado do CDS-PP Rui Martins criticou a “responsabilidade de décadas” dos socialistas quanto ao desemprego nos Açores.

O Orçamento Regional dos Açores começou a ser debatido na segunda-feira pelo parlamento açoriano na Horta, ilha do Faial, e a sua aprovação está dependente dos votos do deputado do Chega, do representante da Iniciativa Liberal e do deputado independente (ex-Chega), que já garantiu que vai honrar o seu compromisso na votação.

A direção nacional do Chega pediu na quarta-feira passada ao partido nos Açores para retirar o apoio ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), mas o deputado único do partido, José Pacheco, disse que “nada está fechado e tudo pode acontecer” dado que há negociações em curso.

A Assembleia Legislativa é composta por 57 eleitos e a coligação de direita, com 26 deputados, precisa de mais três parlamentares para ter maioria absoluta.

A coligação assinou um acordo de incidência parlamentar com o Chega e o PSD com a Iniciativa Liberal (IL).

O deputado único da IL, Nuno Barata, ameaçou votar contra, referindo posteriormente que continua “a lutar” nas negociações.

O parlamento conta ainda com mais 28 deputados: 25 do PS, dois do BE e um do PAN. Estes partidos anunciaram já o voto contra o orçamento.

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