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A secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas dos Açores considerou hoje que não é “exequível” ou “justo” implementar um tarifário único no transporte coletivo rodoviário, mas admitiu realizar um estudo sobre o setor.

“Não é possível criar um tarifário único sem penalizar aqueles que só percorrem um quilómetro. Torna-se extremamente difícil pôr isto em prática e ser exequível, porque os tarifários únicos aplicam-se a transportes urbanos ou a zonas metropolitanas. Quando se trata de transportes interurbanos, já se torna muito difícil de aplicar”, afirmou a titular da pasta da Mobilidade nos Açores, Berta Cabral.

A governante (PSD/CDS-PP/PPM) falava numa audição na comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, no âmbito de um projeto de resolução apresentado pelo deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega), que propõe a “criação de condições para implementação de um tarifário tendencialmente único para os transportes coletivos” na região.

Segundo Berta Cabral, este modelo funciona em centros metropolitanos, mas não funciona nos Açores, onde a “amplitude quilométrica é de um para 85 quilómetros”.

A secretária Regional da Mobilidade disse que o atual modelo já representa um “esforço significativo” para o erário público, porque a região comparticipa descontos nos passes mensais que vão de 30% nas distâncias até 10 quilómetros a 70% nas distâncias de 75 a 85 quilómetros.

“Se fossemos para a tarifa única, além de ser injusta, seria extremamente difícil de pôr em prática”, reforçou.

A governante comprometeu-se, contudo, a “modernizar” o setor, alegando que “há dezenas de anos” que os transportes terrestres “não têm tido uma grande evolução, nem sequer tecnológica”.

Berta Cabral admitiu ainda realizar um estudo, como prevê a proposta do deputado independente, depois de ser introduzida uma nova “bilhética multioperador e intermodal”, que vai permitir ter “um conhecimento mais efetivo do que se passa em cada uma das ilhas”.

“Com o novo sistema a funcionar, com a bilhética a dar-nos dados mais fiáveis, poderemos fazer estudos por ilha, sobretudo nas ilhas com maior complexidade, como é o caso da Terceira e de São Miguel, e fazer incrementalmente melhorias no sistema”, reforçou.

Carlos Furtado, único deputado a questionar a secretária da Mobilidade na audição, considerou que a modernização do sistema “não será suficiente para que se potencie” o transporte público rodoviário nos Açores.

O deputado independente propôs a implementação de um modelo experimental, por 50 ou 60 dias, para perceber se as pessoas que vivem mais longe dos centros urbanos deixariam de utilizar veículos próprios.

“O facto de não se criar um modelo experimental para perceber a aptidão dessa solução, vai condicionar todos os estudos, porque se os estudos forem feitos com base no modelo atual tenho em crer que pouco mais vai adiantar”, alertou.

Berta Cabral alegou, no entanto, que depois de implementada a nova tarifa “não se anda para trás”, rejeitando o “modelo experimental” proposto.

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