Sanjoaninas 2019 irão vestir a cidade de festa sob o mote «Angra – o REGALO do REI e da GENTE»

Em 2019, as Sanjoaninas irão vestir a cidade de festa sob o mote «Angra – o REGALO do REI e da GENTE». Dedicadas ao deleite, alegria e vivacidade que esta urbe transmite, as maiores festividades dos Açores são uma homenagem à singularidade da vida na Capital do Coração do Atlântico.

O tema, assente numa frase proferida pelo poeta Álamo de Oliveira, assinala a efeméride da chegada a Angra do rei D. Afonso VI, ocorrida a 17 de junho de 1669. As Sanjoaninas são um misto de cores, sons e sabores que preenchem todos os angrenses e forasteiros de uma energia contagiante, tornando Angra, o regalo não só de um rei, mas de toda a gente, não só de hoje, mas de sempre.

Álamo de Meneses, Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, reforça que «foi tomada a opção de enveredar por temas relacionados com factos históricos relevantes ocorridos em Angra do Heroísmo, ou diretamente relacionados com o município».

Esta via, que permanecerá a ser explorada, molda também modelo atual da festa, que continuará a ser uma festa feita para o povo.

«As Sanjoaninas são um evento que funciona como um grande dinamizador para a economia local, e que são uma festa feita com a colaboração das mais variadas entidades públicas e privadas, sem os quais não seria possível a sua realização, como é o caso da Câmara do Comércio, GNR, PSP e RG1, tal como toda a comunidade angrense», realçou Álamo de Meneses.

O TEMA

  1. Afonso, afastado da governação do reino devido à incapacidade que lhe foi atribuída pela fação da aristocracia apoiante do seu irmão, o príncipe regente D. Pedro, e pela impossibilidade em gerar descendência, permanecerá recluso no castelo de S. João Baptista entre junho de 1669 e agosto de 1674. Período de tensões e movimentações sociais a que a guerra com Espanha e a recentemente readquirida independência nacional não estavam alheias, a necessidade de afirmar a jovem monarquia portuguesa e a supremacia régia face a interesses locais e particulares têm expressão na romântica luta entre dois irmãos (mais uma vez) que tem como palco a cidade de Angra e a sua inexpugnável fortaleza celebrada por, 80 anos antes, ter defendido a soberania nacional face ao ocupante espanhol.

A cidade torna-se centro de espionagem e local de propagação de boatos. O receio de que o rei fosse «libertado» e encabeçasse uma tomada do poder fazia a corte, em Lisboa, recear a ilha e todos os que fossem próximos do rei. Nestas circunstâncias, o fanatismo (representado por uma curiosa personagem local – o místico Lázaro Fernandes) e o despotismo (exercido pelo governador do castelo Manuel Nunes Leitão) propagaram-se rapidamente obrigando a coroa a intervir e a transferir o rei para Sintra – mais uma vez numa situação de detenção.

Os angrenses dividiram-se entre a obediência ao príncipe regente, e o respeito pelo rei infeliz, mas a cidade também teve em conta a sua ambição de manutenção (e possível ampliação) dos privilégios e distinções que lhe haviam sido concedidos após a Restauração, aspetos e memórias de que ainda hoje se orgulha, e quando o rei regressa à capital Angra também regressa ao seu viver tranquilo e vagamente embalado pelas ondas do Atlântico.

O CARTAZ

O cartaz das Sanjoaninas 2019 dá continuidade ao uso do casario que foi desenvolvido e consolidado nas últimas edições, e que já é reconhecido como uma representação gráfica inequívoca das festas e da cidade de Angra, contribuindo eficazmente para o fortalecimento da sua marca no mundo.

De forma estilizada, este poster ilustra D. Afonso VI a contemplar a cidade de Angra a partir da Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, onde esteve resguardado entre 1669 e 1674. O rei apresenta-se sentado, numa postura atípica para uma majestade, mas representativa da sua personalidade irreverente, inspiradora e audaz, plasmada na sua biografia. Com serenidade veranil, o monarca encontra-se à sombra de uma árvore que, por sua vez, alude à enraizada tradição angrense de proteger os ideais da nação portuguesa, manifestada no anterior período de ocupação filipina e que se viria a repetir nas lutas liberais.

Angra, embandeirada de edifícios e cores notáveis, está para lá da muralha da Fortaleza, representada na sua plenitude, do mar à serra, das casas aos campos, aludindo ao envolvimento de todos os angrenses nestas festividades, desde a juventude aos mais idosos. Mas as Sanjoaninas também têm lugar para emigrantes e turistas, trazidos pela saudade ou curiosidade, e que aqui estão representados pelo galeão ancorado na baía.

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