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Robert Mugabe não renunciou à presidência do Zimbabué

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O Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, fez hoje um discurso à nação, em que era esperada a sua renúncia ao cargo, mas tal não aconteceu.

No dia em que a União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF) destituiu Robert Mugabe da liderança do partido, fontes próximas do presidente avançaram a agências noticiosas internacionais que o estadista de 93 anos renunciaria à presidência do país.

No entanto, numa mensagem transmitida na televisão estatal, ladeado por vários militares, Robert Mugabe não anunciou qualquer renúncia do cargo.

Partido no poder exonerou Robert Mugabe da liderança do Zimbabué

O partido no poder no Zimbabué destituiu hoje Robert Mugabe como líder da União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF), noticiou hoje a cadeia de televisão britânica BBC.

Segundo a BBC, o Comité Central da ZANU-PF, que se reuniu hoje de urgência para analisar a crise político-militar zimbabueana, decidiu também nomear como novo líder o antigo vice-Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, afastado do cargo há duas semanas por Robert Mugabe.

O afastamento de Mnangagwa desencadeou um conjunto de reações, culminando com a intervenção militar do exército que tomou o controlo do poder e impediu Mugabe, 93 anos, de continuar a manobrar politicamente para que a sua mulher, Grace, o substituísse na Presidência do país.

Centenas de milhares de zimbabueanos saíram desde então às ruas para protestar contra a decisão e contra a manutenção de Mugabe no poder, ações que culminaram sábado com uma das maiores manifestações de sempre em Harare.

Entretanto, os comandos militares que levaram a cabo a iniciativa vão receber ainda hoje Mugabe na presidência zimbabueana, onde estão instalados.

A decisão tomada na reunião de urgência do Comité Central da ZANU-PF abre, assim, caminho a reintegração de Mnangagwa, que, por sua vez, deverá assumir a liderança de um novo Governo até às eleições gerais de 2018.

Confirmado este cenário, a destituição de Mugabe é o passo seguinte, que terá de ser confirmada pelo Parlamento, medida que o líder parlamentar do maior partido da oposição, o Movimento para as Mudanças Democráticas (MDC), Innocent Gonese, já avançou na casa parlamentar zimbabueana após discutir a questão com a ZANU-PF.

“As conversações de Mugabe com o seu ex-comandante do exército Constantino Chiwenga estão na segunda ronda e as Forças Armadas tudo estão a fazer para evitar uma acusação internacional de golpe de Estado, algo que a União Africana (UA) já veio a público defender que não aceitará.

Fontes oficiais de ambas as partes não têm revelado pormenores sobre as negociações, mas os militares parecem querer defender uma resignação voluntária de Mugabe para manter a legalidade na transição política que, inevitavelmente, se seguirá.

A intransigência de Mugabe em deixar o poder tem sido, referem analistas locais e internacionais, uma forma de o Presidente zimbabueano contar com o apoio da UA e da comunidade internacional para preservar o seu legado como um dos líderes da libertação de África, bem como para proteger-se, tal como a família, de possíveis processos judiciais.

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