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“É tempo de reconstrução, de assumirmos as lições do passado para que o futuro nunca mais nos encontre impreparados e sem os meios essenciais para enfrentarmos novos desafios. Tempo de pensarmos nos mais desfavorecidos e carenciados que mais sofreram com a pandemia. Mas ninguém ficou imune. Fomos todos atingidos”, afirmou.

Pedro Catarino falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, este ano num formato mais reduzido devido à pandemia.

Referindo-se à covid-19, o representante da República disse que o último ano foi “particularmente difícil”, mas ressalvou que depois de uma “tempestade impiedosa e devastadora”, “finalmente as nuvens negras e o vento agreste estão a dissipar-se”.

“É tempo para, com toda a humildade, fazermos uma reflexão sobre a nossa conduta. Repensarmos as nossas vidas, prometermos a nós próprios que tudo faremos para levarmos uma vida mais sã, mais atenciosa para com os outros, mais respeitadora para com a natureza, mais empenhada num trabalho produtivo e honesto”, defendeu.

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Numa cerimónia em que se ouviram os hinos de Portugal, dos Açores e da Europa, cantados pelo Coro Padre Tomás de Borba, da Academia Musical da Ilha Terceira, Pedro Catarino apelou a um “espírito de unidade, cooperação e respeito mútuo”, para que todos construam “um mundo melhor”.

“Vivemos num mundo em que dependemos uns dos outros. Ninguém vive isolado. Mesmo quando habitamos ilhas no meio do oceano. A nossa sorte depende da sorte de todos. Tempo, portanto, para nos unirmos, unir os nossos esforços e fazê-lo em benefício de todos. O que quer dizer, em nosso próprio benefício”, acrescentou.

No Dia de Portugal, o representante da República para os Açores sublinhou que a identidade nacional sai reforçada com “a pertença a comunidades que se complementam e que giram à volta do mesmo centro fulcral”, trazendo “valor acrescido” e dando “maior solidez, força e coesão”.

“Portugal, a sua Região Autónoma dos Açores e a Europa são quadros referenciais que sentimos e condicionam as nossas vidas e as nossas esperanças. Que dão ânimo aos nossos esforços para nos realizarmos, para transmitirmos aos nossos filhos uma herança de valores e de felicidade material e espiritual, para nos respeitarmos uns aos outros, para nos valorizarmos a nós próprios e ajudarmos os outros a enfrentar os desafios da sociedade, e assim contribuirmos para o bem comum, dos nossos povos e da humanidade que nos irmana a todos”, apontou.

Pedro Catarino destacou a “individualidade própria dos Açores”, com “as circunstâncias particulares da sua geografia e da sua história e as suas características socioculturais”, mas também a Europa, como “projeto aberto, interna e externamente, que valoriza as diferenças culturais e a contribuição de cada um para o todo, que procura abater as barreiras para construir pontes na busca de um mundo cada vez melhor, cada vez mais justo, cada vez mais próspero”.

Discurso

Excelentíssimas autoridades civis, militares e eclesiásticas,

Açorianos,

Permitam-me que comece por dirigir a todos, açorianas e açorianos, uma respeitosa saudação muito cordial e fraterna.

Uma saudação muito especial também aos órgãos de governo próprio regionais nas pessoas do Senhor Presidente da Assembleia Legislativa e do Senhor Presidente do Governo Regional, altos representantes do povo açoriano, o primeiro aqui presente e o segundo representado pelo Senhor Vice-Presidente do Governo Regional.

Agradeço a participação das autoridades presentes nesta cerimónia singela, dadas as circunstâncias, mas não menos significativa e simbólica, que muito me honra.

Nesta celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas ouvimos os hinos de Portugal e da Região e pela primeira vez o hino da Europa, cantados pelo Coro Padre Tomás de Borba, da Academia Musical da Ilha Terceira, a quem muito agradeço a prestimosa colaboração.

Perguntarão porquê os 3 hinos.

Caros concidadãos.

A nossa identidade nacional como portugueses, a nossa cultura e língua, a nossa história de 9 séculos, o sentido de comunidade, a fraternidade dos nossos laços, os nossos valores e filosofia de vida, bem como o nosso apego ao respeito mútuo, à tolerância, à liberdade de expressão, aos ideais democráticos só saem reforçados com a pertença a comunidades que se complementam e que giram à volta do mesmo centro fulcral.

São comunidades que mutuamente se revigoram, que trazem valor acrescido umas às outras, dando-lhes maior solidez, força e coesão.

Desde logo, os Açores com o seu carácter, com as circunstâncias particulares da sua geografia e da sua história e as suas características sócio-culturais, que lhe dão uma individualidade própria, integrada no todo nacional, mas diferenciada, o que justifica a sua autonomia político-administrativa e o seu governo e parlamento próprios.

Mas também a Europa como projeto comum e generoso, unificador, integrador, antídoto dos nacionalismos exacerbados e revanchistas, espaço de paz, de liberdade, de justiça social e de solidariedade, assente num modelo de sociedade inspirado numa conceção humanista e em valores universais. Europa como projeto aberto, interna e externamente, que valoriza as diferenças culturais e a contribuição de cada um para o todo, que procura abater as barreiras para construir pontes na busca de um mundo cada vez melhor, cada vez mais justo, cada vez mais próspero.

Portugal, a sua Região Autónoma dos Açores e a Europa são quadros referenciais que sentimos e condicionam as nossas vidas e as nossas esperanças. Que dão ânimo aos nossos esforços para nos realizarmos, para transmitirmos aos nossos filhos uma herança de valores e de felicidade material e espiritual, para nos respeitarmos uns aos outros, para nos valorizarmos a nós próprios e ajudarmos os outros a enfrentar os desafios da sociedade e assim contribuirmos para o bem comum, dos nossos povos e da humanidade que nos irmana a todos.

Portugueses,

O último ano foi um ano particularmente difícil. Uma tempestade impiedosa e devastadora. Finalmente as nuvens negras e o vento agreste estão a dissipar-se.

É tempo para, com toda a humildade, fazermos uma reflexão sobre a nossa conduta.

Repensarmos as nossas vidas, prometermos a nós próprios que tudo faremos para levarmos uma vida mais sã, mais atenciosa para com os outros, mais respeitadora para com a natureza, mais empenhada num trabalho produtivo e honesto.

É tempo de reconstrução, de assumirmos as lições do passado para que o futuro nunca mais nos encontre impreparados e sem os meios essenciais para enfrentarmos novos desafios.

Tempo de pensarmos nos mais desfavorecidos e carenciados que mais sofreram com a pandemia.

Mas ninguém ficou imune.

Fomos todos atingidos.

Vivemos num mundo em que dependemos uns dos outros. Ninguém vive isolado. Mesmo quando habitamos ilhas no meio do oceano.

A nossa sorte depende da sorte de todos.

Tempo, portanto, para nos unirmos, unir os nossos esforços e fazê-lo em benefício de todos. O que quer dizer, em nosso próprio benefício.

Portugal, a sua Região Autónoma dos Açores e a Europa, são os faróis de esperança que nos devem guiar e orientar as nossas ações.

Que os seus hinos que acabámos de escutar e a celebração do Dia de Portugal que hoje tem lugar, nos inspirem a todos para, num espírito de unidade, cooperação e respeito mútuo, possamos unir os nossos esforços para construirmos um mundo melhor.

Agradeço ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo a sua disponibilidade para o apoio logístico desta cerimónia e toda a sua amável cooperação.

Exprimo a todos, açorianas e açorianos, aqui e na diáspora, os meus sinceros votos que o futuro lhes reserve as maiores felicidades e boa saúde.

Obrigado

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