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O representante da República para os Açores apelou hoje a uma aposta na educação e na cultura na região, alegando que são pilares determinantes no desenvolvimento da sociedade e no combate à pobreza.

“É na educação e cultura que temos de investir e apostar, dando-lhes uma altíssima e permanente prioridade. Não nos iludamos. Sem uma população educada e qualificada, os índices de pobreza continuarão a ser elevados, o crescimento económico anémico e limitado e os problemas sociais que nos afligem persistentes. E, sem cultura, a identidade e a coesão social tenderão a esboroar-se e a enfraquecer”, afirmou o representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, na sua mensagem de ano novo.

Pedro Catarino considerou imperativo “aliviar de imediato os efeitos do aumento do custo de vida”, para evitar “situações que conduzam à exclusão social e à pobreza”, mas alertou para problemas “persistentes e crónicos que nunca virão a ser resolvidos a não ser que se tomem medidas drásticas”.

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“Não podemos continuar com uma parte da população com um grau de educação insuficiente, nem renunciar à elevação do seu nível de vida para um patamar superior, pessoas que, por falta de qualificações não conseguem habilitar-se a empregos mais bem remunerados ou que não estão em condições de melhorar significativamente a sua produtividade”, apontou.

Nesse sentido, defendeu um ensino pré-escolar “universal, com boas infraestruturas” e com “bons, motivados e vocacionados educadores”, que englobe, além das disciplinas tradicionais, inglês, informática, música e desporto, e “promova o contacto com a natureza, o respeito pelos animais, as virtudes cívicas, a autonomia dos próprios, o respeito pelos outros, a civilidade, a solidariedade e a fraternidade”.

Considerou ainda que é necessário o “fornecimento gratuito do material escolar, do vestuário e da alimentação” e um “acompanhamento das crianças no seu ambiente familiar por assistentes sociais com a devida formação profissional”.

“Boas escolas de ensino pré-primário e um sistema de ajuda às crianças e às famílias é, também, o melhor meio de promover a natalidade. Neste contexto, a decisão relativa à gratuitidade de creches e amas para todas as famílias dos Açores é um passo na boa direção”, afirmou.

Pedro Catarino congratulou-se, por outro lado, com “o reforço das verbas da cultura no Orçamento da Região para 2023”, propondo que sejam igualmente “reforçadas as verbas para a Universidade dos Açores”.

“Um elevado nível cultural estimula o pensamento livre e autónomo, predispõe as pessoas para o diálogo e reforça a sua capacidade de intervenção cívica. Permite-lhes, em especial, fazer chegar a sua voz aos decisores políticos e, assim, influenciar positivamente a ação política. Cidadãos mais preparados adaptam-se melhor à mudança e reagem melhor à adversidade”, vincou.

Na sua mensagem de ano novo, o representante da República para os Açores lembrou ainda o “flagelo da guerra” na Ucrânia e o “holocausto nuclear”, que “aparece agora como uma ameaça aterradora e como instrumento de chantagem e de agressão”.

“Necessitamos antes de mais de restabelecer a paz e, com ela, a confiança nas relações internacionais. Não podemos, no entanto, transigir na defesa firme dos valores da liberdade e da democracia em que assentam as nossas sociedades, nem no nosso dever de solidariedade e ajuda a quem se bate pelos seus legítimos direitos, numa luta que também é a nossa”, referiu.

Num mundo com “profundas mudanças” e “novos equilíbrios geopolíticos”, Pedro Catarino sublinhou a “contribuição dos Açores para a segurança do Atlântico Norte e das vias de comunicação marítima, mas também aérea, espacial e digital”.

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