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O representante da República para os Açores, Pedro Catarino, salientou hoje, nas comemorações do 1.º de Dezembro, que o mundo se divide entre os “nacionalismos exacerbados” e os que entendem que a soberania tem limites.

“Confrontam-se hoje tendências contraditórias. Por um lado, um nacionalismo como ideologia que tem as suas raízes no princípio da prevalência da soberania nacional como princípio absoluto. Por outro, o entendimento de que a soberania nacional tem limites que podem justificar uma intervenção internacional em casos como violações grosseiras dos direitos humanos ou emergências humanitárias”, afirmou.

O representante da República para a Região Autónoma dos Açores falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nas comemorações do Dia da Restauração, organizadas pela delegação dos Açores da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), com o patrocínio da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

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As celebrações, que tiveram como tema “Que significa ser independente hoje?”, contaram com o docente da Universidade Católica Jorge Pereira da Silva como orador.

Em resposta à questão lançada como tema da conferência, Pedro Catarino disse que há hoje “nacionalismos exacerbados, em que os países se fecham numa atitude centrada naquilo que consideram como interesses próprios entendidos como exclusivos e prevalentes, sobrepondo-se a uma ordem internacional que não aceitam”.

Por outro lado, salientou, há “países que procuram integrar-se em comunidades alargadas, aceitando uma partilha da sua soberania e o desenvolvimento em conjunto de regras comuns aplicáveis transversalmente a diversos países, procurando construir um mundo melhor em paz, mais próspero e mais justo, sujeito ao primado do direito dentro de um sistema livre e democrático”.

“O melhor exemplo será o da União Europeia, projeto aberto e generoso, ao qual temos a felicidade de pertencer”, frisou.

Também presente na cerimónia, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou a importância destes eventos comemorativos como “lição” e como “referência de brio” da identidade.

“Para valorizarmos a identidade importa reconhecer o conhecimento que a história nos dá. É por isso que convictamente sempre que pudermos [devemos] reunir o saber que a história nos ensina”, apontou.

“Quem estuda e investiga [fá-lo] não apenas em jeito de amanuense de recuperação do pensamento passado ou dos factos cronologicamente apontados, mas acrescenta pensamento crítico no que diz respeito à sua relação com a nossa contemporaneidade e com o nosso compromisso de futuro”, acrescentou.

O presidente do executivo açoriano apelou à cooperação do poder local nas comemorações do 1.º de Dezembro e garantiu que a SHIP pode contar com “cumplicidade, estímulo e apoio do Governo Regional”.

Já o delegado da SHIP nos Açores, Eduardo Ferraz da Rosa, defendeu que comemorar a Restauração “deve ser um ato de memória, como um ato projetivo de imaginação, criatividade e esperança”.

“A história dos Açores e a vida dos açorianos está indelevelmente marcada pela Restauração de 1640, tal é o denso peso simbólico desta data e o alto significado nacional que ela duplamente configura na memória, no imaginário e na nossa inteligência crítica da pátria portuguesa”, apontou.

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