Rei de Espanha entende que nenhum candidato tem condições para formar Governo

O rei de Espanha, Felipe VI, decidiu hoje não propor o líder socialista, Pedro Sánchez, como candidato a ser reconduzido como primeiro-ministro e está prestes a dissolver o parlamento e marcar novas eleições para 10 de novembro próximo.

Segundo um comunicado da Casa Real espanhola, publicado depois de uma ronda de conversações, em Madrid, com quinze líderes partidários, Felipe VI constatou que “não existe um candidato com os apoios necessários” e assim “não formula uma proposta de candidato” a primeiro-ministro.

Se a situação não se desbloquear nos próximos dias, o rei de Espanha está constitucionalmente obrigado a dissolver o parlamento e a marcar eleições depois de segunda-feira, 23 de setembro, daqui a menos de uma semana.

Sánchez culpa Podemos e Cidadãos por cenário de novas eleições em Espanha

O líder socialista espanhol, Pedro Sánchez, culpou hoje o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, e o líder do Cidadãos, Alberto Rivera, pela falha de uma solução de Governo, que levará a novas eleições gerais em novembro.

O primeiro-ministro espanhol e líder do PSOE considera que tentou tudo, mas que as “forças conservadoras” e “uma força política de esquerda” tomaram a decisão de “bloquear a formação do Governo que os espanhóis reclamaram”, aproveitando para, perante o cenário de eleições em 10 de novembro, pedir “uma maioria clara”.

“(Pablo) Iglésias vai a caminho de um recorde: é a quarta vez que o Unidas Podemos impede um governo progressista”, afirmou hoje Pedro Sánchez, referindo-se ao falhanço negocial com o seu parceiro de eleição e à necessidade de levar os eleitores espanhóis pela quarta vez às urnas, num período de menos de quatro anos.

Sánchez também não poupou nas críticas o partido de Alberto Rivera, dizendo que o “Cidadãos não é liberal nem do centro”, referindo-se à incapacidade de decisão política deste movimento.

Quase cinco meses depois das eleições legislativas ganhas pelo líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Pedro Sánchez, em 28 de abril último, o país continuava num impasse político, levando hoje o rei de Espanha, Felipe VI, a não o propor como candidato a ser reconduzido como primeiro-ministro, ficando a 48 horas de dissolver o parlamento e marcar novas eleições, em 10 de novembro.

“Pedimos aos espanhóis uma maioria clara em 10 de novembro”, disse hoje o líder socialista, após os fracassos de negociações que duraram várias semanas.

“Tentámos de tudo, mas eles tornaram impossível (uma solução)”, explicou Pedro Sánchez, após mais uma ronda de consultas com o rei e referindo-se ao Unidas Podemos com quem tentou estabelecer condições para uma solução governativa, a quem fez várias propostas, que sucessivas vezes foram recusadas.

“Infelizmente, os conservadores espanhóis têm pouco a ver com os europeus e optaram por desentender-se”, disse Sánchez, a propósito do Cidadãos e da sua incapacidade para entender a utilidade de apoios parlamentares.