“Em 2018/19, foram efetuadas 554 avaliações, sendo 263 relatórios referentes a áreas novas e 291 relatórios de ponto da situação de avaliações relatadas em anos anteriores, incidindo sobre 206 bacias hidrográficas. Os trabalhos do último ano abrangeram 838 quilómetros de linha de água, mais 211 quilómetros do que no ano anterior”, avançou secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, durante a apresentação do Relatório do Estado das Ribeiras dos Açores referente a 2019 (RERA), que decorreu hoje em Ponta Delgada.

O RERA é o instrumento que assegura a “monitorização regular do estado geral das linhas de água” nos Açores, tendo sido elaborado “com base em dados de campo recolhidos em campanhas regulares de monitorização da rede hidrográfica em todas as ilhas”. A partir de hoje, o documento está disponível na íntegra no portal ‘online’ do Governo dos Açores.

Entre setembro de 2018 e setembro de 2019, foram registadas 671 ocorrências nas ribeiras da região, a maioria devido a “obstruções”.

“À semelhança dos anos anteriores, a maioria das ocorrências identificadas em 2019 corresponde a assoreamentos e obstruções, situações muitas vezes decorrentes do normal desenvolvimento vegetal e da dinâmica fluvial, nomeadamente do transporte de caudais sólidos e que exigem manutenção regular”, assinalou.

Marta Guerreiro também frisou que o “aspeto menos positivo” do último ano se prende com as “inundações registadas na ilha Terceira, em resultado de vários episódios de precipitação intensa”.

Sobre estas situações, o diretor regional do Ambiente, Hernâni Jorge, a quem coube a apresentação do RERA, destacou que a ilha “tem um grave problema” de ordenamento do território.

“A ilha Terceira tem um grave problema de ocupação e ordenamento do território. Tem uma rede hidrográfica preenchida por edificações, caminhos, por acessos a propriedades e há um conjunto de infraestruturas e de equipamentos que surgiram ao longo de décadas de ausência de planeamento”, destacou, apontando que a direção que lidera já tem vários “processos em curso” para “atenuar impactos desta má ocupação do território”.

O diretor regional considerou que a zona oeste da Terceira, com as freguesias de Santa Bárbara, São Bartolomeu e Cinco Ribeiras, juntamente com a freguesia de São Caetano, no Pico, são as “zonas mais críticas” dos Açores.

Hernâni Jorge destacou que o Governo está a fazer um “grande investimento em zonas críticas” e assegurou que os serviços vão continuar a ser “rigorosos naquilo que é a aplicação de boas regras de ordenamento” do território.