Recuperação do património baleeiro móvel nos Açores é “exemplo” a nível mundial

A Diretora Regional da Cultura afirmou, nas Lajes do Pico, que a recuperação do património baleeiro móvel, botes e lanchas de reboque, realizada nos Açores é um dos exemplos mais notáveis, a nível mundial, de reabilitação patrimonial da herança naval ao serviço das comunidades.

“Com ela pretende-se celebrar a dimensão atlântica portuguesa, bem como honrar a importância do mar e dos barcos na vivência insular e na criação da identidade arquipelágica, mormente através da Açorianidade”, salientou Susana Costa.

A Diretora Regional, que falava quarta-feira, à margem da reunião da Comissão Consultiva do Património Baleeiro dos Açores, frisou que a atividade baleeira, praticada artesanalmente nos Açores ao longo de mais de um século, deixou “traços na arquitetura, na genética e na civilização açorianas, para além de povoar o imaginário coletivo, das elites literatas às mais modestas comunidades açorianas”.

Susana Costa referiu que a baleação, com a extinção da caça, transformou-se numa “atividade-memória, explicada nos museus”, acrescentando que os “novos baleeiros” tomaram a parte “mais significativa do turismo náutico nos Açores, através da observação dos cetáceos, e o cachalote tornou-se num inequívoco emblema da identidade dos Açores”.

Atendendo a que o património baleeiro, constituído por bens imóveis, mas igualmente por bens móveis que “o expressam na sua magnificência”, designadamente as embarcações baleeiras e respetivas palamentas, corria o risco de se perder, dada a inoperância desde 1987, data da proibição da caça à baleia em Portugal, Susana Costa recordou que o Governo Regional tomou “políticas com vista à recuperação, revitalização e reutilização deste património para fins culturais, desportivos, lúdicos, turísticos e de educação ambiental”.

Estas medidas, associadas a um esforço e motivação crescentes das populações locais organizadas à volta de clubes navais, autarquias, coletividades e associações de cidadãos, tornaram possível a recuperação de um vasto património na Região, afirmou a Diretora Regional.

Neste contexto, a Secretaria Regional da Educação e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, promoveu a reunião da Comissão Consultiva do Património Baleeiro dos Açores, que avalia as candidaturas anuais para a preservação, salvaguarda e valorização do património baleeiro da Região.

Esta comissão, presidida pelo Diretor do Museu do Pico, responsável pelo Museu dos Baleeiros e pelo Museu da Indústria Baleeira, é composta por um representante de cada uma das entidades que promovem atividades que vivificam esse património, dois representantes da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores e três personalidades de reconhecido mérito, identificadas com a história e a atividade baleeiras.

Cabe a esta comissão, perspetivando o que deve ser o futuro deste património, enquanto elemento vivo das comunidades onde a herança baleeira se faz sentir, propor onde se devem investir os fundos públicos para que se possa perpetuar essa herança.