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“Trata-se de um conjunto de iniciativas, de ações de sensibilização, de intervenção, de prevenção, para que estes fenómenos ocorram cada vez menos em contexto escolar. Sabemos que são fenómenos silenciosos, que normalmente não são revelados, por vergonha, mas existem e têm de ser combatidos”, adiantou o deputado do PSD Rui Espínola.

O parlamentar social-democrata falava, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Escola Básica e Secundária Tomás de Borba, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

O projeto de resolução, que deverá dar entrada hoje no Parlamento açoriano, subscrito por PSD e PPM (que integram a coligação de governo com o CDS-PP), recomenda ao executivo açoriano a criação de um “programa de regional de prevenção e combate ao bullying e cyberbullying nas escolas dos Açores”.

Esse programa “deve promover o desenvolvimento de estratégias de sensibilização, prevenção e intervenção em meio escolar, envolvendo várias entidades, serviços e toda a comunidade educativa”.

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“O bullying provoca nos nossos jovens sentimentos negativos, que levam à perda de confiança, à baixa autoestima, à perda de rendimento escolar e até podem levar ao consumo de estupefacientes e de álcool”, alertou o deputado social-democrata.

PSD e PPM propõem ainda que a elaboração do programa seja “precedida do levantamento estatístico das situações de bullying e cyberbullying registadas em contexto escolar nos Açores”.

Rui Espínola lembrou que num estudo recente do Centro de Investigação e Intervenção Social do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) sobre o cyberbullying em Portugal, durante a pandemia de covid-19, mais de 60% dos jovens afirmaram terem sido vítimas de cyberbullying, durante o período em que durou o ensino à distância, em 2020, e um quarto dos inquiridos admitiu ter praticado bullying.

“Solicitamos ao governo que faça um diagnóstico destas situações nas escolas, porque é uma situação que não está feita”, apontou.

O projeto de resolução recomenda também que o Governo Regional “produza e divulgue conteúdos digitais, quer em contexto escolar, quer nos órgãos de comunicação social, que promovam a prevenção e o combate aos fenómenos do bullying e do cyberbullying, sensibilizando os encarregados de educação e a comunidade em geral”.

Se a iniciativa for aprovada, o executivo deverá remeter à Assembleia “um relatório anual detalhado” sobre as ações realizadas.

Questionado sobre a necessidade de reforço de psicólogos nas escolas açorianas, o deputado do PSD disse que existem “realidades muito distintas”.

“Há escolas que estão devidamente equipadas com psicólogos, com terapeutas da fala, com terapeutas ocupacionais e há escolas que efetivamente necessitam desse reforço”, afirmou.

Reconhecendo que a intervenção do psicólogo é “fundamental para o combate a este fenómeno”, Rui Espínola disse que “a secretaria regional da Educação está a fazer o que é possível para reforçar as escolas que necessitam”.

O deputado social-democrata disse esperar que o programa de combate ao bullying possa ser implementado, “pelo menos a partir do próximo ano letivo”.

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