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O deputado do PSD na Assembleia da República Paulo Moniz considerou hoje uma “lacuna gravíssima” que o projeto para a substituição dos cabos submarinos não preveja uma nova ligação entre as ilhas açorianas de São Miguel e Terceira.

Em comunicado, o social-democrata, eleito pelo círculo dos Açores, alertou que a ligação entre as duas ilhas mais populosas do arquipélago vai ser “mantida com um cabo com mais de 25 anos”, segundo o projeto dos novos cabos submarinos.

“Na configuração do novo anel, segundo a topologia prevista, e pelo que disse o ministro [das Infraestruturas], não está assegurada a reestruturação dessa ligação [entre São Miguel e Terceira]. Essa é uma enorme preocupação, pois é grave que haja essa falha, que retira a capacidade de securização e de segurança do sistema”, afirmou o deputado, citado na nota de imprensa.

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Paulo Moniz avisou que a ligação entre as duas ilhas é assegurada por um “cabo completamente obsoleto” e criticou a forma como o processo foi conduzido pelo Governo da República.

A propósito da substituição dos cabos submarinos, o deputado disse que se “está a fazer uma ponte, em que as duas extremidades são novas, mas em que o meio é uma parte podre e velha”.

“Vamos ficar piores do que estamos, ou seja, vai-se fazer uma infraestrutura nova, que alimenta duas ilhas, sem acautelar a ligação entre elas por um cabo também novo”, afirmou Paulo Moniz.

Na terça-feira, em comunicado, o PS elogiou o “cumprimento da palavra dada” pelo Governo da República, devido ao lançamento do concurso para a substituição da ligação de fibra ótica entre o continente, os Açores e a Madeira.

Os socialistas revelaram que já foram transferidos 36 milhões de euros, do leilão do 5G, para financiar a substituição dos cabos, considerando que está assegurado um “conjunto de serviços essenciais” às regiões autónomas.

 “A substituição do atual sistema de comunicações por um novo sistema de cabos submarinos era indispensável para garantir a coesão territorial, mas, também, por estar próximo do fim o tempo de vida útil do atual sistema e que sem a sua substituição estaria comprometido o curso normal da vida dos cidadãos e das instituições”, afirmou o deputado do PS, Francisco César.

Também na terça-feira, o Governo dos Açores reivindicou a extensão do prazo de vida útil dos atuais cabos submarinos, alertando que o “atraso” na substituição pode provocar anomalias no acesso à internet e nas chamadas de rede móvel.

Em declarações à agência Lusa, o diretor regional das Comunicações e da Transição Digital, Pedro Batista, condenou o “atraso” no processo de substituição dos cabos submarinos, uma vez que a vida útil dos atuais cabos termina em 2024/2025.

“Sabemos que não é por terminar a vida útil que, no dia a seguir, deixa de funcionar, mas, naturalmente, poderá haver uma incidência de anomalias e de avarias superior a que existe até agora”, afirmou.

O diretor regional reconheceu que, a partir de 2024 a conectividade digital entre os Açores e o continente, assegurada pelo sistema designado Anel CAM, poderá ser afetada.

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