PSD/Açores quer ouvir Governo Regional no parlamento sobre “atentado ambiental”

O PSD/Açores quer ouvir no parlamento regional a titular da pasta do Ambiente sobre as “intervenções autorizadas” pelo executivo açoriano na Plataforma Costeira das Lajes do Pico, consideradas um “atentado ambiental”, anunciou hoje o partido.

A deputada Catarina Furtado, citada numa nota de imprensa dos sociais-democratas, pretende que a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, vá explicar em sede da Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho o que sabe “sobre o deferimento de um pedido de autorização para intervenção na Plataforma Costeira das Lajes do Pico, para construção e funcionamento temporário de uma ‘tenda eletrónica'”.

Um grupo de cientistas denunciou na segunda-feira, num documento enviado à presidente do parlamento dos Açores, um “atentado ambiental” na Plataforma Costeira das Lajes do Pico, numa intervenção que incluiu a remoção de vegetação e a realização de festas.

José Azevedo, professor associado do Grupo da Biodiversidade dos Açores, da universidade açoriana, e primeiro subscritor do documento, refere que a violação ocorreu em agosto num local abrangido pela Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies das Lajes do Pico.

De acordo com o cientista, a intervenção “consistiu na remoção do coberto vegetal, na deposição e compactação de inertes e na construção e funcionamento durante três noites de uma tenda eletrónica para a realização de ‘raves'” durante as festas da Semana dos Baleeiros, tendo “todas estas ações sido aprovadas pelos órgãos próprios do município das Lajes do Pico e do Governo Regional dos Açores”.

Considerando que está em causa o “desrespeito por um diploma” aprovado pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, os subscritores manifestam o seu “profundo desacordo” com a intervenção realizada no local, defendendo-se que a área afetada “deve ser intervencionada para poder retornar ao seu estado natural”.

José Azevedo declara que se está perante um “atentado ambiental” e quer que o local – que integra também a Rede Natura 2000 – seja “devidamente restaurado”.

A parlamentar do PSD/Açores Catarina Furtado recordou que o local em causa “é abrangido pela Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies das Lajes do Pico e integrado na Rede Natura 2000 através de duas figuras de proteção, designadamente Sítio de Interesse Comunitário e Zona de Proteção Especial”.