PSD/Açores diz não ser “virtuoso” para a Terceira eventual saída da Ryanair

O líder do PSD/Açores considerou hoje não ser “virtuoso” para a Terceira, em termos turísticos, um eventual abandono da operação para aquela ilha por parte da Ryanair e defendeu uma “reforma significativa” da acessibilidade aérea.

À saída de um encontro com a direção dos Açores da UMAR – Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, José Manuel Bolieiro disse aos jornalistas que o mercado privado “não pode ser controlado pelas soluções e políticas públicas”, mas salvaguardou não ser “virtuoso” para a Terceira, em termos turísticos, um eventual abandono da operação para aquela ilha por parte da operadora aérea de baixo custo.

Nos Açores, a Ryanair opera, além da ilha Terceira, para São Miguel, tendo vindo a público notícias que apontam para a concentração da operação em Ponta Delgada.

“O ideal seria ter uma reforma significativa da acessibilidade aérea de passageiros, para os Açores serem cada vez mais atrativos e acessíveis, independentemente de quem faz o transporte aéreo”, observou José Manuel Bolieiro.

Questionada pela agência Lusa sobre um eventual fim da rota para a Terceira, fonte oficial da Ryanair respondeu: “Como resultado da actual pandemia provocada pela covid-19 e das numerosas restrições de viagem impostas pelos governos, estamos actualmente a rever os nossos horários de inverno 2020″.

O líder do PSD/Açores referiu que se vive num mercado aberto e vê como positivo o surgimento no concurso de obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas de outros operadores além da SATA Air Açores, assumindo-se o “interesse público da região, e da boa circulação e acessibilidade a todas as ilhas, não podendo ficar nenhuma para trás”.

“A proposta que melhor servir os interesses dos açorianos é a que deve ser escolhida no concurso de obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas“, concluiu José Manuel Bolieiro.

SATA Air Açores assegura as ligações aéreas interilhas ao abrigo das obrigações de serviço público de transporte aéreo.

Em 20 de junho, na oitava edição do Congresso da Sociedade, dedicada à ilha do Pico, o líder da estrutura regional social-democrata declarou que “a existência de preços diferentes nas ligações interilhas invalida a ideia de um mercado regional e de conhecimento dos Açores pelos açorianos”.

José Manuel Bolieiro defendeu na ocasião que, “com uma tarifa única de 60 euros, o passageiro residente escolherá a ilha de destino com base no seu interesse e não no preço”, referindo que “este é o mesmo princípio consagrado nas ligações entre os Açores e o continente”, em que é aplicado um sistema de reembolso, para os residentes no arquipélago, da diferença do bilhete comprado e o valor máximo de 134 euros, por viagem de ida e volta.

O dirigente considerou ainda haver suporte financeiro, não apenas para o período da pandemia da covid-19, mas para, ao abrigo de uma reforma das obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas, haver um modelo “capaz de gerar retorno económico”.

O líder do PSD/Açores lamentou, igualmente, o “atraso registado” na elaboração do caderno de encargos para a revisão das obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas, que “todos os parceiros consideram indesculpável”.