PS saúda “regresso à racionalidade” e acusa PSD e CDS de não serem confiáveis

O líder parlamentar do PS saudou hoje o “regresso à racionalidade” com o chumbo da contabilização integral do tempo de serviços dos professores, mas acusou o PSD e CDS-PP de terem revelado que “não são confiáveis”.

Palavras proferidas por Carlos César após PS, PSD e CDS-PP terem reprovado em votação final global o texto saído da Comissão Parlamentar de Educação prevendo a recuperação total do tempo de serviço dos professores no período de congelamento (2011 a 2017) – diploma que teve o apoio do PCP, Bloco de Esquerda e PEV e que, se fosse aprovado, motivaria a demissão do Governo.

“Este dia marca o regresso à racionalidade por parte do PSD e CDS. Não é grave e não fica feio a ninguém emendar os erros que se comentem. O PSD e o CDS-PP emendaram. Mas os portugueses concluirão que o PSD e o CDS não são partidos confiáveis”, declarou o presidente do Grupo Parlamentar do PS, numa alusão ao facto de na semana passada, em sede de comissão, sociais-democratas e democratas-cristãos terem aprovado o princípio da contabilização integral do tempo de serviço dos docentes.

Após esta acusação, Carlos César foi questionado se também entende que o PCP e o Bloco de Esquerda não são partidos confiáveis, uma vez que estiveram ao lado da contabilização dos nove anos, quatro meses e dois dias reclamados pelos sindicatos – medida que o Governo estimou com um impacto orçamental na ordem dos 800 milhões de euros.

O líder parlamentar do PS reagiu desta forma: “Confiamos na decisão dos portugueses – e é isso que está em causa com a proximidade das eleições europeias e legislativas. O que somos ficou bem evidenciado neste debate: o PS representa o sentido de responsabilidade, sem perder a ambição social e a confiança daqueles que necessitamos que a mantenham, neste caso os nossos credores e investidores externos, que dão emprego e riqueza ao nosso país”, disse.

Depois, deixou um aviso, dizendo que “competirá ao PCP, ao Bloco de Esquerda, como aos outros partidos, fazerem a avaliação das políticas do Governo e, em cada circunstância, legitimar ou não da continuidade de uma solução como a que hoje temos”.

Em relação ao atual clima político entre os partidos que suportam o atual Governo, Carlos César sustentou a tese de que o fundamental aconteceu com a aprovação de quatro orçamentos do Estado, considerando, assim, que este caso dos professores foi um “processo mais mediático do que outros”.

Mesmo assim, do ponto de vista política, o presidente do Grupo Parlamentar do PS procurou retirar validade à tese do PCP “que diz que está sempre a rebocar o PS para que haja mais pensões e mais remunerações”.

“Mas é o inverso que se passa. Estamos sempre a dizer aos nossos parceiros que é preciso aumentar as pensões, as remunerações e investir mais nos serviços públicos, mas não de uma forma que destrua as finanças públicas do país”, contrapôs.

Segundo Carlos César o que o PS transmite ao PCP e ao Bloco de Esquerda “é que não podemos desperdiçar esse capital”.

“Se hoje desequilibramos esse capital, amanhã essas prestações sociais que aumentámos vão ter de regredir, as remunerações que aumentámos vão ter que se conter ou diminuir. Queremos fazer este percurso com segurança, queremos que os portugueses tenham confiança no PS na sua capacidade de gerir as finanças públicas do país, compatibilizando boa gestão com a dimensão social na qualidade da governação”, declarou.

Interrogado sobre a necessidade de o primeiro-ministro ter ameaçado com a demissão do Governo, o líder da bancada socialista defende esta linha de atuação política.

“Se fosse aprovada uma solução como a que foi proposta pela coligação dos contrários [PSD, CDS, PCP e BE] que resultou da Comissão de Educação, o senhor primeiro-ministro foi claro em dizer que apresentaria a sua demissão. O que hoje aconteceu foi que os diferentes partidos que tinham contribuído para essa solução irracional e irresponsável, que na altura tinham-na considerado correta – estou a citar o PSD -, deram agora o dito por não dito e voltou tudo à normalidade”, sustentou.