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O PS/Açores considerou hoje que a entrada do Governo dos Açores na Associação de Turismo da região é uma “absoluta contradição”, acusando o executivo (PSD/CDS-PP/PPM) de “não saber o que quer” para o setor no arquipélago.

Em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada após uma reunião com a Associação de Guias de Informação Turística dos Açores para assinalar o dia mundial do Turismo, o deputado do PS no parlamento açoriano Carlos Silva criticou a entrada do Governo Regional na Associação de Turismo dos Açores (ATA), que se vai passar a designar VisitAzores.

“É mais um exemplo de absoluta contradição do governo, que num dia dizia querer sair da economia e das empresas públicas e que agora entra novamente na ATA”, afirmou, quando questionado pelos jornalistas sobre as alterações ao modelo da associação.

A ATA reuniu-se na segunda-feira em assembleia-geral para aprovar os novos estatutos, uma das condições do Governo Regional, membro fundador da associação, entretanto retirado, para voltar à instituição.

De acordo com o presidente do organismo, Carlos Morais, a VisitAzores passa a ser presidida pelo Governo dos Açores, que ainda nomeia mais dois vogais, a par de outros dois nomeados entre os sócios da associação.

O deputado regional socialista lembrou que o Governo Regional utilizou a “redução dos custos das administrações” como uma das justificações para “extinguir algumas empresas públicas”, enquanto agora vai passar a indicar três pessoas para a administração da associação de promoção turística.

“O governo parece não saber o que é que quer para o turismo dos Açores. Num dia diz uma coisa, no outro faz exatamente o contrário. Isso preocupa-nos, como é óbvio”, declarou.

Carlos Silva criticou ainda a “falta de ordenamento turístico” nos Açores, notando que durante a época alta houve “demasiada pressão em alguns locais de interesse turístico” da região.

O socialista realçou a importância de existir um novo Programa de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), defendendo que a sustentabilidade do turismo na região “pode ficar comprometida” devido à falta de ordenamento.

“É fundamental garantir a sustentabilidade do destino e a conciliação entre a qualidade de vida dos residentes e a qualidade do serviço que prestamos. Entendemos que isso pode ficar comprometido caso não exista um plano de ordenamento turístico”, vincou.

Em maio, o Governo açoriano pediu ao parlamento regional o cancelamento da apreciação do novo POTRAA nomeadamente para analisar o setor entre 2019 e o presente.

A carta do gabinete da presidência do Governo, disponível na página da Internet da Assembleia Legislativa Regional e consultada pela Lusa, apresenta nove fundamentos para o pedido de cancelamento, nomeadamente os efeitos da aprovação da taxa turística regional e a necessidade de ponderar os efeitos, no setor, de “todos os factos e impactos que possam ter existido desde 2019″ até 2022.

“O governo retirou à pressa o documento. Podia ter alterado aquilo que apresentou na assembleia. Simplesmente decidiu retirar e neste momento temos um vazio”, alertou o socialista.

A versão do POTRAA atualmente em vigor data de 2008 e está parcialmente suspensa e sujeita a medidas de caráter provisório desde 2010.

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