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O líder da bancada do PS no parlamento açoriano, Vasco Cordeiro, disse hoje que o Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM “não está à altura dos desafios” que a atual conjuntura impõe no arquipélago.

“Nesta conjuntura desafiante que estamos a enfrentar, esta coligação não está à altura deste desafio, seja do ponto de vista do respeito e da dignificação das instituições, seja na capacidade de planear e definir medidas”, apontou o dirigente socialista, no arranque das jornadas parlamentares do PS/Açores, a decorrer na Horta.

Vasco Cordeiro referia-se às propostas de Plano e Orçamento para 2023 que o Governo Regional, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, apresentou no parlamento açoriano, e que serão discutidas e votadas em plenário na próxima semana, considerando que o executivo não se pode limitar a reforçar os apoios sociais.

“Ajudar as famílias e as empresas a ultrapassarem esta situação de turbulência, não pode ser feito apenas por aí. Porque a consequência de ser feito como este governo pretende fazer, é uma fragilização do tecido económico e social da nossa região. É a criação de mais dependências”, insistiu o líder parlamentar socialista.

Na sua opinião, a atual conjuntura de crise obrigaria o Governo Regional a criar medidas adicionais para combater o aumento da inflação, mas sobretudo o aumento das taxas de juro nos créditos à habitação, que poderá implicar que cada família tenha de pagar “mais 270 euros por mês por cada 100 mil euros de empréstimo”.

“A par dos apoios conjunturais, deveria haver a criação de condições e de investimento para o reforço dos serviços públicos, na área da Saúde, por exemplo, na área da Educação”, defendeu Vasco Cordeiro, salientando que só assim é possível ajudar as famílias e as empresas a enfrentar a crise.

O dirigente socialista criticou, por outro lado, o presidente do Governo Regional por ter admitido a possibilidade de, caso se justifique, o executivo vir a apresentar um orçamento retificativo no próximo ano, para compensar os efeitos da crise inflacionista no arquipélago.

“Esta coligação e os partidos que a apoiam e sustentam, vão fazendo a governação dos Açores por tentativa e erro. Agora vamos apresentar este orçamento, mas se isto não correr muito bem, apresentaremos um orçamento retificativo a seguir”, lamentou Vasco Cordeiro.

O líder do grupo parlamentar do PS, que é também líder regional do partido, denunciou ainda a “baixa taxa de execução” do atual governo em relação a este ano, para concluir que o executivo de coligação “apregoa milhões e executa tostões”.

“A três meses do final o ano, o Governo ainda nem conseguiu executar metade das verbas que tinha previsto executar este ano”, recordou Vasco Cordeiro, referindo-se à taxa de execução do 3.º trimestre de 2022 que, em seu entender, “dá bem nota da incapacidade do Governo de executar e de cumprir com aquilo a que se compromete”.

Os socialistas açorianos, que vão estar reunidos em jornadas parlamentares até quarta-feira, na ilha do Faial, não divulgaram ainda o seu sentido de voto em relação às propostas de Plano e Orçamento do Governo para 2023.

Nos dois primeiros orçamento da atual legislatura, de 2021 e 2022, os socialistas votaram contra os dois documentos.

O Orçamento Regional para 2023, de 1,9 mil milhões de euros, prevê 753,5 milhões de euros de despesa em investimento público, dos quais 641 milhões de euros são da responsabilidade direta do Governo Regional dos Açores.

O documento vai ser debatido e votado no plenário do parlamento açoriano a partir de 21 de novembro.

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