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O PS/Açores acusou hoje o Governo PSD/CDS-PP/PPM de estar “derrotado” e “perdido no seu labirinto”, e destacou o Plano de Emergência “de quase 50 milhões de euros” que apresentou no âmbito do Plano e Orçamento regionais para 2023.

“Num tempo em que os Açores mais precisam de um Governo ágil, capaz, especialmente motivado, diligente e empenhado em fazer chegar verbas ao investimento público e à economia, surge um governo já cansado, pesado, que se arrasta perdido no labirinto que ele próprio criou, de validações e contra validações, de confirmações e reconfirmações, entre os numerosos centros de poder que o compõem e sustentam”, afirmou Vasco Cordeiro, na intervenção de encerramento do debate sobre o Plano e Orçamento para 2023.

Para o ex-presidente do Governo (2012-2020), “a hora é do Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] se chegar à frente antes que seja tarde para muitas famílias e empresas dos Açores”, mas “prefere aguardar”, enquanto o PS considera que “o tempo é este”, avançando com o “Plano de Emergência Social e Económica dos Açores, de quase 50 milhões de euros destinado a ajudar as famílias, as empresas e as instituições de solidariedade social e misericórdias dos Açores a ultrapassarem a crise financeira”.

Vasco Cordeiro garantiu que “não significa necessariamente” que os socialistas estão “contra outras medidas de apoio” a famílias e empresas, mas recusa o caminho seguido pelo Governo.

“Pedem-nos que, em nome da responsabilidade, votemos a favor de dois documentos que constituem a expressão institucional deste caminho para onde o Governo Regional arrasta a nossa região. Não! É exatamente pelo sentido de responsabilidade que temos que não podemos alinhar neste estado de coisas”, vincou.

“Nós não vamos por aí. Aqui dentro deste parlamento, cada um decidirá o que fazer. Nós não podemos ir por aí”, insistiu.

De acordo com o também líder do PS/Açores, “o Governo apresenta-se hoje derrotado perante si próprio e perante os açorianos, confrontado com as consequências da sua incapacidade que levam a uma taxa de execução historicamente baixa” daquele que foi apresentado como “o maior plano de sempre da história da Autonomia [o de 2022]”.

“Este é um Governo que se revela incapaz de fazer e demasiado desconfiado para deixar fazer”, assinalou.

De acordo com o socialista, “o secretário regional do partido A não confia no diretor regional do partido B que, por sua vez, só fala com o secretário regional C, que sendo doutra área, é, no entanto, do seu partido”.

“E assim julga o Governo Regional que vai andando, quando, na verdade, se arrasta e arrasta a região na sua incapacidade de operacionalizar ou de decidir, mas, sobretudo, na incapacidade de fazer”, lamentou.

Quanto ao endividamento zero previsto no Orçamento para 2023, Vasco Cordeiro diz que se trata de uma imposição legal, porque “a dívida pública da região já ultrapassou o valor de mais de metade do valor da riqueza que criou no último ano em que existem dados publicados”.

“Na atual conjuntura social e económica, a região não pode deixar de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para colocar-se inequivocamente ao lado das famílias e das empresas para ajudá-las a ultrapassar a tormenta que já aí está. O Governo regional está hesitante. Adota medidas a medo, hesita, demora-se, age o mais tarde possível e, algumas vezes, age tarde demais”, descreve.

Quanto ao Plano de Emergência do PS, Vasco Cordeiro diz que “é uma solução forte, robusta e que contempla diversos apoios sociais que são imperativos face às hesitações e ao medo do Governo se chegar à frente pelos açorianos”.

O Orçamento dos Açores para 2023, de cerca de 1,9 mil milhões de euros, começou na segunda-feira a ser debatido no parlamento regional, onde a votação deve começar na quinta-feira.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega).

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação.

A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um acordo com a IL.

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