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O PS/Açores alertou hoje para um possível agravamento das dificuldades financeiras das famílias açorianas no primeiro trimestre de 2023, admitindo insistir nas medidas que foram recentemente chumbadas na Assembleia Legislativa dos Açores.

“Estaremos atentos e, se necessário for, voltaremos a apresentar estas ou outras medidas que entendamos pertinentes para ajudar as famílias a ultrapassar este momento de dificuldade”, avançou a deputada socialista Andreia Cardoso, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita às instalações do Banco Alimentar contra a Fome na ilha Terceira.

O PS propôs, na Assembleia Legislativa dos Açores, um Plano de Emergência Social, orçado em 46,2 milhões de euros, no âmbito da discussão do Plano Regional Anual para 2023, mas a iniciativa foi rejeitada com os votos contra de PSD, CDS-PP e PPM, que integram o Governo Regional, bem como de CH, IL, PAN e do deputado independente (ex-CH).

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Uma semana depois da discussão em plenário, os deputados socialistas reiteraram a “preocupação com os problemas que se avizinham à classe média, que advêm do impacto da crise inflacionista e do aumento das taxas de juro”.

“As alterações às taxas de juro já aconteceram para algumas famílias, mas não aconteceram para todas. Acredito que no primeiro trimestre do próximo ano se vai alargar o leque de famílias que se vão ressentir verdadeiramente com o impacto da alteração das taxas de juro nos seus créditos à habitação”, salientou Andreia Cardoso.

Segundo a deputada do PS, ex-secretária regional da Solidariedade Social, o aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares “já está a onerar significativamente o orçamento das famílias”, mas essa realidade “tenderá a agudizar-se nos próximos meses”.

“O grupo parlamentar tinha apresentado medidas que visavam atender ao reforço do rendimento disponível das famílias, mas também reduzir despesas permanentes, designadamente o apoio às taxas de juro do crédito à habitação, que aliviariam o orçamento familiar e permitiriam às famílias manter as despesas normais do seu orçamento familiar, sem criar instabilidade, nem disrupções no seu normal funcionamento”, lembrou.

Os parlamentares socialistas mantêm uma ronda de contactos com associações e instituições que dão apoio a famílias carenciadas e admitem discutir e aperfeiçoar o plano rejeitado em plenário, que continha medidas como um “apoio às famílias que têm estudantes deslocados no valor de 500 euros ou um apoio ao rendimento disponível”.

“Se entendermos que de facto continuam a ser pertinentes, com certeza que avançaremos com uma nova formulação destas propostas”, garantiu Andreia Cardoso.

Alice Enes, presidente da Associação de Combate à Insuficiência Alimentar da Ilha Terceira (ASTECIA), que gere o Banco Alimentar contra a Fome na ilha, disse que já se verifica um aumento de pedidos de apoio, mas admitiu que 2023 seja um ano mais difícil.

“Já começamos a ver um outro tipo de pobreza, uma pobreza de uma classe média baixa, que tem a ver com a inflação e com o aumento das taxas de juros. Não conseguimos precisar quantas, o que prevemos é que esse público poderá ser adensado no próximo ano”, afirmou.

Numa ilha com cerca de 53 mil habitantes, foram apoiadas pelo Banco Alimentar, em 2021, cerca 2.169 famílias, número que deverá aumentar para cerca de 3.000, em 2022, abrangendo mais de 7.000 pessoas.

Na última campanha de angariação de bens, a associação recolheu 20,8 toneladas de alimentos, que, em conjunto com outros donativos, espera serem suficientes para dar resposta às necessidades dos próximos seis meses.

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