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“Muitas das recomendações e das análises ali feitas podem ser lidas com proveito para quem queira pensar nas questões da saúde a nível nacional”, disse Joaquim Costa, à agência Lusa, no final da sessão de apresentação do estudo sobre o acesso ao Sistema Regional de Saúde (SRS) dos Açores.

A apresentação decorreu na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, sendo o estudo da responsabilidade de Piedade Lalanda, professora na Universidade dos Açores e investigadora no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais CICS.NOVA.UAc.

O provedor-adjunto sublinhou “muitas das questões não especificas da saúde nos Açores”, como a “literacia da saúde, a importância dos cidadãos tomarem conta da sua própria saúde ou o investimento que tem que se fazer na sua prevenção”.

Aquele responsável da Provedoria da Justiça apontou ainda o envelhecimento, que “nos Açores é preocupante, mas não seu exclusivo”, uma vez que “a sociedade portuguesa é das mais envelhecidas da Europa”.

Joaquim Costa considerou importante “conhecer a realidade através de dados estatísticos para depois se poder tomar opções políticas”

O responsável frisou que, “muitas vezes, uma das questões piores da política é tomar decisões com base em visões muito parcelares e imediatistas das situações, não se percebendo a evolução ao longo de ciclos de 10, 20 ou 30 anos”, havendo assim que “proceder a um diagnóstico para identificar onde estão as falhas”.

“Por exemplo, uma das coisas que foi dita aqui, que não tem a ver com os Açores, mas com o país no geral. Em Portugal, em termos médicos, não se está mal a nível mundial e europeu, o que significa que o nosso problema de atraso na saúde, seja nos Açores ou no continente, tem a ver com a desorganização ou a não competitividade do sistema de saúde face a outros sistemas”, concluiu.

Na sua perspetiva, “isto só pode ser identificado se se estudar, sendo este estudo um grande exemplo e um trabalho muito sério”.

Na investigação de Piedade Lalanda, disponível na página ‘online’ da Provedoria de Justiça, que patrocinou o estudo, advoga-se que a “partilha de dados, processos, exames médicos é fundamental” para conseguir “desmaterializar o sistema e acelerar a resposta dos clínicos”.

“Continua a falhar a existência de um sistema informático, que promova uma verdadeira integração dos centros de saúde com o sistema hospitalar, e transforme o SRS num sistema integrado, articulado e eficiente”, lê-se no documento.

A investigadora defende que a telemedicina é uma “ferramenta facilitadora do acesso a consultas de especialidade” mas, para ser “eficaz”, deve estar integrada num único sistema informático.

“O recurso à telemedicina não pode substituir as consultas presenciais”, ressalva.

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