Proposta do BE para aumentar salário mínimo para 645 travada no parlamento

Num momento em que se regista o aumento da riqueza produzida na Região – com o crescimento sucessivo do PIB – o Bloco de Esquerda propôs o aumento do salário mínimo regional para os 645 euros, como forma de combater as desigualdades sociais, aproximar o salário médio dos Açores ao do resto do país, e aproximar o salário mínimo do sector privado aos salários pagos na administração pública regional. A proposta foi rejeitada hoje no parlamento.

O deputado Paulo Mendes recordou as declarações do vice-presidente do Governo Regional que, em novembro do ano passado, anunciou que nenhum funcionário da administração pública dos Açores iria receber menos de 700 euros por mês, para afirmar que seria “da mais elementar justiça” aumentar o complemento regional ao salário mínimo por forma a garantir uma aproximação dos salários do sector privado ao do sector público.

Perante os trabalhadores que recebem um salário mínimo que “roça o limiar da pobreza”, o Governo Regional e o PS optam por dizer apenas “não podemos fazer nada…”, lamentou o deputado do Bloco de Esquerda, que referiu dados preocupantes do Observatório do Emprego e Formação Profissional que indicam que 36% dos trabalhadores dos Açores auferem vencimentos abaixo do salário mínimo. O problema é ainda mais significativo no sector do Turismo – que está a crescer nos Açores – nomeadamente na restauração, em que 72% dos trabalhadores recebem menos que o salário mínimo, e no alojamento em que 55% dos trabalhadores estão nesta situação.

O deputado António Lima também interveio no debate para dar exemplos de empresas de dois grandes grupos económicos dos Açores – no sector da indústria e do sector agro-alimentar – em que os níveis salariais têm diferença de poucos euros, em alguns casos apenas um euro.

“A perspetiva que os trabalhadores destas empresas têm é subir um euro no salário ao fim de anos de trabalho. É ridículo!”, disse António Lima.

“Se o PS quer ser coerente com as suas posições sobre a necessidade de aumentar os rendimentos dos açorianos, e se quer acabar com situações em que os trabalhadores sõ podem aspirar a receber um aumento salarial de um euro ao fim de quatro ou cinco anos de trabalho, é preciso aumentar o salário mínimo. O momento pode ser agora!”, desafiou o deputado do BE.

Mas a maioria dos deputados votou contra a proposta do Bloco de Esquerda.