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Médicos e enfermeiros dos serviços de urgência e cuidados intensivos do Hospital da Ilha Terceira, nos Açores, vão sair à rua numa marcha de São João, para agradecer o carinho recebido durante a pandemia de covid-19.

“Vamos agradecer às pessoas, porque achámos que era uma coisa importante. Tantas palmas que nos bateram, tantas ofertas que nos vieram trazer ao hospital, estava na altura de nós retribuirmos essa mensagem”, afirmou, em declarações à Lusa, Sérgio Pereira, enfermeiro do serviço de urgência do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.

Quando, em março de 2020, a ilha Terceira detetou o primeiro caso de infeção por SARS-CoV-2 nos Açores, o vírus era ainda desconhecido e trouxe “medos, preocupações e dificuldades” aos profissionais de saúde.

O apoio da população foi “fundamental” para se conseguir conter a pandemia de covid-19 e os profissionais, que estiveram “na linha da frente”, querem agora retribuir esse carinho da forma mais “terceirense” possível.

“Não havia forma mais interessante de agradecer do que numa marcha de São João, nas festas icónicas da ilha Terceira”, explicou Sérgio Pereira.

As festas Sanjoaninas, paradas durante dois anos devido à pandemia, estão de regresso às ruas de Angra do Heroísmo, por onde vão desfilar 21 marchas na noite de quinta-feira, incluindo a “Marcha dos Profissionais da Linha da Frente”.

Ao todo são 66 marchantes, a maioria médicos e enfermeiros dos serviços de urgência e cuidados intensivos, ainda que se incluam também alguns familiares, bombeiros e técnicos do laboratório onde, durante os últimos dois anos, se fizeram análises ao coronavírus SARS-CoV-2.

Os tempos mais difíceis da pandemia ainda estão frescos na memória de quem não teve direito a confinamento.

“No início era tudo muito desconhecido, tudo muito novo e tudo muito medonho. Nós não sabíamos o que é que ia acontecer. Víamos as notícias do resto do mundo, onde se acumulavam desgraças”, recordou Sérgio Pereira.

Foi o “apoio incondicional” da família e dos colegas de trabalho, mais unidos desde essa altura, que ajudou a superar as horas difíceis, mas o carinho das pessoas, manifestado nos mais simples gestos, também foi decisivo.

“Mesmo não tendo perceção, foi uma coisa fundamental as pessoas terem ficado em casa e terem-nos ajudado, porque o que estava a acontecer no mundo é que os serviços de saúde não tinham capacidade de resposta”, adiantou o enfermeiro.

Andreia Moniz, médica intensivista, confessou que nunca tinha sentido um apoio igual por parte da população, em toda a sua carreira.

“Fizeram pequenas coisas, que parecem simples, mas que fizeram toda a diferença. Acima de tudo, fizeram-nos sentir acompanhados naquilo que estávamos a fazer”, contou.

Das palmas nas varandas, à marcha de viaturas de bombeiros e forças de segurança à porta do hospital, foram muitas as manifestações públicas de agradecimento aos profissionais de saúde.

Ainda este ano, no Dia de Portugal, o Serviço Regional de Saúde dos Açores foi agraciado como membro honorário da Ordem de Mérito.

Mas, foram muitas também as manifestações, em privado, desconhecidas para a maioria da população.

“Não imagina a quantidade de vezes que nos mandaram comida e bebidas nos dias em que estávamos a trabalhar e não podíamos ir a lado nenhum. Mandaram até cremes para as mãos, porque, por usarmos muitos desinfetantes, tínhamos todos problemas com a pele”, recordou a médica.

Mais do que as palmas ou os presentes, foi a postura das pessoas que marcou Sérgio Pereira.

“Era quase uma compaixão. As pessoas que se viam forçadas a vir ao hospital, e que só vinham mesmo quando era necessário, tratavam-nos como nunca tinham tratado, com simpatia e com alguma cordialidade, porque viam a importância de estarmos ali”, frisou.

Ensaiada na Vinha Brava, junto ao local onde decorreram testagens e vacinação em massa contra a covid-19, a “Marcha dos Profissionais da Linha da Frente” está pronta a sair à rua, ainda que nunca tenha conseguido juntar num só ensaio todos os marchantes.

“A marcha também foi feita a turnos”, brincou Andreia Moniz.

Com a ajuda de colegas de outros serviços, para não comprometer a prestação de cuidados nas urgências e nos cuidados intensivos, na noite de São João os profissionais da “linha da frente” vão descer a cidade, com uma mensagem que se espera emotiva.

“Sempre que falamos nestes assuntos acaba por ter uma carga emocional grande. Se conseguirmos parar no meio da Rua da Sé e dizer obrigado a toda a gente é garantidamente um momento de emoção, que revela tudo o que nós queremos dizer”, sublinhou Sérgio Pereira.

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