“Nós não fazemos as coisas por intuição, mas sim por dados científicos. Estamos a acompanhar com rigor científico o evoluir epidemiológico”, acrescentou o social-democrata José Manuel Bolieiro, em declarações aos jornalistas.

O chefe do executivo açoriano, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, falava após uma visita à escola Luísa Constantina, na vila de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel.

Os alunos do primeiro e segundo anos do ensino básico e os do secundário que fazem exame nacional retomaram hoje as aulas presenciais em São Miguel, a maior e mais populosa ilha açoriana, que concentra o maior número de casos de Covid-19, totalizando hoje 186 casos ativos.

Desde o dia 22 de março que todas as escolas de São Miguel estavam em regime de ensino à distância e alguns concelhos já se encontravam nesse regime, devido à pandemia de Covid-19, o caso dos estabelecimentos de ensino de Rabo de Peixe.

O chefe do executivo açoriano sublinhou que se trata de um regresso de “forma progressiva e cautelosa” e transmitiu uma palavra de confiança aos professores, pessoal não docente e alunos que, na ilha de São Miguel, retomaram hoje as aulas presenciais.

“Temos tido uma relação muito prudente entre aquela que é a orientação da Autoridade de Saúde Pública e aquelas que são as opções pedagógicas da Secretaria Regional da Educação”, reforçou, voltando a alertar que é fundamental, nomeadamente em São Miguel, onde existe transmissão comunitária do vírus, que cada pessoa “valorize” eventuais sintomas e contacte telefonicamente as linhas de apoio médico a fim de ser testada à Covid-19.

José Manuel Bolieiro frisou que a “saúde publica não é determinada por decreto”, mas “pelo comportamento responsável de cada um”, sobretudo em matéria epidemiológica.

Questionado sobre críticas em relação à gestão da pandemia em São Miguel e sobre a alteração no Plano Regional de Vacinação, com os docentes e não docentes a serem integrados na segunda fase, Bolieiro sustentou que terminada a primeira fase de vacinação “com critérios muito objetivos e bem-sucedidos” esta segunda fase “é mais dinâmica de acordo com as circunstâncias concretas”.

“Não há nenhum desnorte. Pelo contrário, há sobretudo a atitude de não sermos cegos, surdos e mudos perante as circunstâncias. E a verdade é que, quer sob o ponto de vista científico, quer sob o ponto de vista das opções que assumimos fizemos as alterações”, sublinhou o chefe do executivo açoriano.

José Manuel Bolieiro garantiu, ainda, aos jornalistas que o Governo dos Açores está “a agir bem e com norte” no combate à pandemia e acrescentou que se for verificado que uma medida “não é adequada” está “sempre disponível com humildade democrática” para “ouvir” a população.

“Eu dou-me bem com isso que é ouvirmos humildemente, reconhecer as dificuldades concretas. Antes excessivos na prudência do que negligentes na ação”, referiu, assegurando que o objetivo é o regresso “de forma progressiva à normalidade” e a retoma das atividades económicas, mas colocando “em primeiro lugar a saúde” e sobretudo “com o bom aconselhamento científico”.

José Manuel Bolieiro foi também questionado sobre várias críticas em relação à atuação do presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Luta Contra a Pandemia de Covid-19, Gustavo Tato Borges, que, na conferência de imprensa de quinta-feira, criticou o título de uma reportagem do Açoriano Oriental, colocando um sinal de proibido por cima, tendo sugerido um título alternativo ao original: “Restrições transformam Ponta Delgada em cidade fantasma”.

O presidente do Governo dos Açores disse que “não há razão nenhuma” para afastar do cargo Tato Borges.

O chefe do executivo açoriano disse ainda que hoje terá a oportunidade de na visita ao jornal Açoriano Oriental reafirmar “a posição do Governo”, e a sua “pessoalmente”, relativamente “à importância da liberdade de imprensa e ao enorme respeito que a comunicação social merece deste Governo”.

Sobre as várias cartas recentemente enviadas ao chefe do executivo açoriano, entre elas do líder regional da Iniciativa Liberal, Nuno Barata, e do anterior presidente do Governo Regional, o socialista Vasco Cordeiro, em relação à gestão da pandemia, em concreto na ilha de São Miguel, Bolieiro sublinhou que “toda a carta tem direito a resposta”, salientando a sua “abertura” ao diálogo.

José Manuel Boleiro sublinhou ainda que o executivo açoriano, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, e que conta com o apoio parlamentar do deputado único da Iniciativa Liberal e dos dois deputados do Chega, “tem um programa de Governo, tem objetivos estratégicos para cumprir e está a cumpri-los”.