Texto e fotos: José Araújo
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Numa visita à cidade da Lagoa em tempo de Natal, pude observar de perto o estábulo ao ar livre na Praça Nossa Senhora da Graça, na freguesia do Rosário, com as principais figuras do presépio. Tudo foi feito de forma a retratar o que aconteceu há mais de mil anos, pois as figuras são “quase” do tamanho real e bem executadas.

Já no Museu de Lagoa, que que tem a sua sede no antigo Convento Franciscano de Santo António, espaço da autarquia, que promove a construção de saberes e a partilha de conhecimentos.

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Encontramos sim, um presépio tradicional inaugurado este ano, com bonecos feitos na oficina do mestre “bonecreiro” João Arruda, residente no museu do Convento da Lagoa. Na visita aquele museu tive ainda a oportunidade de entrar na oficina do mestre João Arruda, conversar com ele sobre a arte de trabalhar o barro.

Referiu-me que “ser artesão e bonecreiro não dá para viver com a venda de bonecos”. Se não fosse a autarquia da Lagoa a abrir esta oficina, investir no artesão, fazer workshops de forma a trazer mais interessados por esta arte, ela a curto prazo deixaria de existir.

Recordou-me que desde a sua infância sempre gostou de bonecos de presépio e de fazer “quartos-de-presépios”. Mas só a partir de há alguns anos é que decidiu enveredar por esta arte em horário pós-laboral. Participou em formações e workshops que lhe facultaram conhecimentos básicos sobre a moldagem e cozedura do barro. O resto foi adquirindo pela experiência ao longo da sua vida.

Os bonecos de barro que estão nos presépios nas casas particulares e de instituições dos Açorianos, é resultado de um trabalho árduo, com muitos anos de artesãos, que nas suas horas de lazer se dedicavam à feitura dos mesmos para aumentar o seu rendimento financeiro ao fim do mês.

Uma nota histórica refere que na Lagoa existem memórias de pequenas olarias de barro vermelho, semelhantes às existentes na ilha de Santa Maria e de Vila Franca do Campo. Isto ainda antes da fundação da primeira fábrica de louça vidrada, criada por Bernardino da Silva em 1862, no Porto dos Carneiros da Lagoa.

Sabemos nós que a cidade da Lagoa, é das poucas que tem uma fábrica de cerâmica que têm passado de geração em geração, e já lá vão cinco, falamos sim da Cerâmica Vieira, com a marca “Louça da Lagoa” e que já se expandiram com lojas no Continente e para os lados de Alvalade. A sua produção continua a ser artesanal e a sua decoração, para além dos desenhos tradicionais, é deixada ao livre arbítrio dos artesãos da fábrica.

A “Louça da Lagoa” é muito apreciada e poucas são as casas açorianas que não têm uma peça a embelezá-la e a enriquecê-la. No cartaz turístico e etnográfico, a “Louça da Lagoa” é já conhecida como uma referência dos Açores.

“Os dados históricos foram recolhidos da página da Cultura, Artesanato, Olaria da Cerâmica Vieira, do Munícipe de Lagoa”

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