Praia da Vitória cancela festas devido ao fim do confinamento obrigatório

O município da Praia da Vitória anunciou hoje o cancelamento das Festas da Praia, agendadas para agosto, justificando a decisão com o fim da obrigatoriedade de confinamento em unidades hoteleiras aos passageiros que chegam aos Açores.

Considerando o fim das quarentenas obrigatórias – o que eleva, de forma exponencial, o risco de infeção pelo novo coronavírus – cai por terra aquela que era a expectativa do executivo municipal: a realização das Festas da Praia tendo como público-alvo a população local e, porventura, das outras ilhas, numa valorização do mercado interno”, adiantou o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Tibério Dinis, citado numa nota de imprensa.

O Governo Regional dos Açores anunciou no sábado que os passageiros que chegassem à região deixariam de ser obrigados a ficar 14 dias em confinamento numa unidade hoteleira — medida implementada desde o dia 26 de março, como combate à propagação do surto de covid-19 –, depois de o Tribunal de Ponta Delgada ter deferido um pedido de libertação imediata (‘habeas corpus’) feito por um queixoso, que se encontrava em confinamento num hotel na ilha de São Miguel.

Os passageiros que não aceitem ficar de forma voluntária em confinamento num hotel definido pelo executivo açoriano terão, no entanto, de ser testados várias vezes à covid-19, à chegada (caso não o tenham feito 72 horas antes) e ao 5.º e 13.º dia após o primeiro teste, tendo de cumprir isolamento profilático no domicílio ou num hotel da sua escolha, até ser conhecido o resultado da última análise laboratorial.

As festas concelhias da Praia da Vitória, que decorreriam de 31 de julho a 09 de agosto, eram das poucas no arquipélago que ainda não tinham sido canceladas, devido à pandemia da covid-19.

Segundo Tibério Dinis, o anúncio do fim das quarentenas obrigatórias em unidade hoteleira fez “cair por terra” a possibilidade da realização das Festas da Praia.

“Estamos há mais de 30 dias sem registo de novos casos na ilha Terceira. Acreditávamos que, em agosto, poderíamos estar há 90 dias sem novos casos de covid-19, fruto do controlo que as autoridades regionais estavam a conseguir e, dessa forma, conseguiríamos realizar as festas num modelo adaptado às circunstâncias e não no modelo habitual, dinamizando a economia local, mas sempre num quadro de segurança. Ora, sem as quarentenas obrigatórias, esse quadro de segurança desaparece. Logo, somos forçados a cancelar as Festas da Praia 2020″, justificou.

O autarca revelou que as atividades já programadas transitarão para a edição de 2021 e que o investimento do município nas festividades (237 mil euros) será afeto a apoios aos patrocinadores e entidades que apoiaram as Festas da Praia em 2019.

“Ao longo dos anos, as Festas da Praia sempre tiveram o apoio de muitas entidades e empresas, permitindo um quadro de partilha de custos orçamentais, reduzindo o esforço público, numa gestão eficaz e rigorosa dos fundos públicos. Assim, é justo nós apoiarmos os patrocinadores e concessionários na exata medida daquilo que apoiaram as Festas da Praia em 2019″, salientou.

Até ao final de junho, o município deverá apresentar um programa cultural com agentes culturais e artistas locais, que decorrerá através de plataformas digitais ou, se possível, de forma presencial, no período em que se realizariam as Festas da Praia 2020.

“Entendemos que, com essa decisão, contribuímos para apoiar os artistas e agentes culturais da ilha Terceira que, devido à atual situação, atravessam um momento difícil”, frisou Tibério Dinis.

Desde o início do surto foram confirmados 146 casos da covid-19 nos Açores, 22 dos quais atualmente ativos, tendo ocorrido 108 recuperações (76 em São Miguel, 11 na Terceira, sete no Pico, sete em São Jorge, quatro na Graciosa e três no Faial) e 16 mortes (em São Miguel).

A ilha de São Miguel é a que registou mais casos (108), seguindo-se Terceira (11), Pico (10), São Jorge (sete), Faial (cinco) e Graciosa (cinco).