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“O PS tinha o dever de afirmar neste parlamento uma alternativa política. Uma alternativa de projeto. Não se pode implorar uma crise política no momento em que se enfrenta uma nova vaga pandémica e uma situação económica internacional cada vez mais instável, quando só tem para oferecer uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma”, declarou o deputado, na Assembleia Regional, na cidade da Horta, no final da discussão do Plano e Orçamento da região para 2022, que será votado na quinta-feira.

O líder parlamentar do PPM/Açores, partido que integra o Governo Regional em coligação com o PSD e o CDS-PP, acusou o PS de “dizer mal de tudo e de todos”, o “mesmo que o BE” faz.

“As esperanças do PS estavam inteiramente depositadas no efeito abrasivo das velhas cantigas de escárnio e maldizer? Não. Encomendou o seu destino, veja-se lá, a uma voz do além: André Ventura”, declarou Estêvão.

O deputado disse que o PS esperou que o líder nacional do Chega derrubasse o Governo dos Açores, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.

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“Como é que acabou tudo? Logicamente, os outros não quiseram fazer o que competia ao PS fazer. Foi a derrota da lei do menor esforço”, apontou.

Estêvão disse ainda não querer um PS “enfraquecido e fragmentado”, uma vez que o executivo açoriano precisa de uma “oposição forte” para “debater ideias”, “competir nos projetos” e “corrigir erros”.

Estêvão elogiou ainda o Plano e Orçamento dos Açores para 2022, que contempla “creches gratuitas”, atualiza a “carreira dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica de Saúde” e “incrementa os apoios às nossas empresas, agricultores e pescadores”.

A Assembleia Legislativa é composta por 57 eleitos e a coligação de direita (PSD/CDS-PP/PPM), com 26 deputados, precisa de mais três parlamentares para ter maioria absoluta.

A coligação assinou um acordo de incidência parlamentar com o Chega e o PSD com a Iniciativa Liberal (IL).

A IL tem ameaçado chumbar a proposta de orçamento, tendo dito à Lusa, na sexta-feira, que vota a favor se for contemplada uma redução de “15 a 20 milhões de euros” no endividamento da região, situado nos 170 milhões de euros. O seu deputado único, Nuno Barata, revelou hoje que o executivo aceitou uma redução de mais de 18 milhões de euros.

O deputado único do Chega, José Pacheco, anunciou, também hoje, que vai votar favoravelmente, depois de o Governo Regional ter aceite “as condições estabelecidas”, apesar de a direção nacional do partido ter pedido na semana passada para que a estrutura regional retirasse o apoio ao executivo.

O deputado independente, Carlos Furtado, ex-Chega, disse na sexta-feira que iria “honrar” o seu “compromisso” firmado com o Governo na votação do Orçamento.

O parlamento conta ainda com mais 28 deputados: 25 do PS, dois do BE e um do PAN. Todos estes partidos anunciaram já o voto contra o Orçamento.

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