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Angra do Heroísmo, Açores, 25 mai 2022 (Lusa) – Os Açores são cada vez mais procurados por cruzeiros de expedição, que passam por várias ilhas e já representam cerca de metade das escalas, disse hoje o responsável pelo setor da Portos dos Açores.

“Na primeira década dos anos 2000 éramos uma região de passagem dos navios que faziam as rotas transatlânticas. Neste momento, as coisas estão muito diferentes. Para estes cruzeiros de expedição, os Açores não são passagem, são destino por si. Eles vêm cá de propósito visitar as nossas ilhas todas”, afirmou, em declarações à Lusa, André Velho Cabral, responsável do departamento de cruzeiros da Portos dos Açores, empresa que gere as infraestruturas portuárias na região.

Entre as mais de 100 escalas de navios de cruzeiros já contabilizadas em 2022, “perto de 50%” foram de navios de expedição, que, apesar de mais pequenos, têm uma “taxa de ocupação interessante” e visitam mais ilhas.

“Este mercado dos cruzeiros de expedição é, claramente, o que tem crescido mais nos últimos tempos”, assegurou André Velho Cabral.

Os Açores “têm sido uma grande surpresa” para este tipo de cruzeiros, que habitualmente procuravam destinos como a Antártida e Ártico, segundo o responsável da empresa que gere os portos da região.

“Um comandante de um navio alemão até dizia outro dia que isto era um segredo bem guardado, que não convém que digam a muita gente”, contou.

Durante muitos anos, o principal mercado de turismo de cruzeiros nos Açores foi o americano, depois passou a ser o britânico e hoje é “claramente o mercado alemão”, que domina os navios de expedição, com “um grau de satisfação muito elevado”.

O navio Hanseatic Spirit, da empresa alemã Hapag Lloyd, por exemplo, já fez três cruzeiros nos Açores, em 2022, passando por quase todas as ilhas, com taxas de ocupação a rondar os 75%.

“Só do Hanseatic Spirit, que é um dos navios de expedição mais modernos, fez mais de 25 escalas”, revelou André Velho Cabral, acrescentando que numa das viagens, em 200 lugares disponíveis, o navio trazia 152 preenchidos.

Os navios de maior dimensão continuam a passar pela região, mas procuram sobretudo os três principais portos: Ponta Delgada (São Miguel), Praia da Vitória (Terceira) e Horta (Faial).

Para além de “potenciar as ilhas todas”, o cruzeiro de expedição traz um cliente com “grande poder de compra” e “respeitador da natureza”.

“Os cruzeiros de expedição são navios mais pequenos, que vão a locais onde os maiores não passam. Vão com uma especificidade muito interessante, porque querem observação da natureza, ‘birdwatching’ [observação de aves], observação de cetáceos…Vão para zonas onde se preserva e se valoriza a natureza, onde se procura analisar mais de perto a vida animal”, sublinhou André Velho Cabral.

Os próprios navios são “amigos do ambiente” e os turistas são, por norma, “muito conscientes da relevância da natureza”, mas também da “gastronomia, história e cultura” que os Açores têm para oferecer.

Segundo André Velho Cabral, este tipo de cruzeiros atrai um “mercado de luxo”, em que os passageiros chegam a pagar 10 vezes mais do que num cruzeiro de maior dimensão.

“Um navio grande, no Mediterrâneo, cobra 600, 700 euros. O navio de expedição cobra 6.000, 7.000”, salientou.

O responsável da Portos dos Açores disse que este segmento foi “fundamental” para a “retoma” do turismo de cruzeiros na região, após a quebra provocada pela pandemia de covid-19, e “a tendência continua” em 2022.

“Éramos um destino seguro e um destino de natureza. Foram basicamente os navios de expedição que fizeram as 97 escalas [registadas em 2021]”, explicou.

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