PUB

A secretária-geral da REDE – Associação Nacional de Voluntários de Proteção Civil defendeu hoje que o poder político “demora sempre” a aderir à cultura de risco e a ver vantagens na necessidade de se trabalhar em rede.

“Demora sempre a aderir porque ainda há a visão que este é um setor da proteção civil [e] quando há a catástrofe preocupa-se” afirmou a também geóloga Maria Anderson.

A especialista falava aos jornalistas à margem do primeiro seminário da “Macaronésia -Cidades Resilientes”, realizado no âmbito da Iniciativa das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UNISDR) Cidades Resilientes, em Ponta Delgada.

PUB

Na organização do evento está a REDE, com o apoio das Juntas de Freguesia de Santa Clara e da Fajã de Baixo, em Ponta Delgada, sendo que a iniciativa se associa à efeméride dos 500 anos do sismo de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Maria Anderson referiu a necessidade de os políticos “participarem e desenvolverem políticas integradas”, uma vez que “o risco tem a ver com o desenvolvimento”, e sublinhou que a participação de todos contribui para que os políticos “tenham uma melhor ação e se aproximem das necessidades reais”.

Sobre os Açores em particular, a secretária-geral entende ser “muito importante” pensar o arquipélago como região da Macaronésia (grupo de arquipélagos do Atlântico Norte: Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), com uma “outra perspetiva de mostrar o risco, que faz parte do dia-a-dia”.

A responsável referiu que o risco também “pode constituir uma oportunidade”, exemplificando com a erupção do vulcão dos Capelinhos, que ocorreu em 1957, na ilha do Faial.

“Apesar de ser um acontecimento trágico, depois revelou-se como algo positivo”, sublinhou, referindo-se ao facto de ter aberto portas à emigração açoriana para os Estados Unidos, onde ainda hoje há uma grande comunidade açoriana.

Sónia Machado, do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), também em declarações aos jornalistas, à margem do seminário, apresentou as vantagens da aplicação criada pelo organismo para “promover uma cultura de segurança”, sublinhando outras iniciativas como os clubes de proteção civil, a par do projeto do Idoso em Segurança, para maiores de 65 anos.

“A aplicação tem como meta chegar a um determinado tipo de público, uma vez que cada vez mais as pessoas recorrem aos canais digitais e a determinado tipo de aplicações”, referiu Sónia Machado, que destacou a informação disponibilizada sobre as medidas de proteção a adotar em caso de catástrofe.

De acordo com a oradora, os cidadãos podem também, através da aplicação do SRPCBA, “aceder em tempo real ao que pode estar a acontecer na sua zona, como uma possível derrocada ou corte de estrada, a par de percursos alternativos para facilitar a sua deslocação”.

A aplicação permite ainda ativar o número de emergência 112 através de uma chamada realizada na aplicação, que “tem a vantagem de a pessoa conseguir escolher desde logo o motivo na origem do contacto”, como um acidente, doença súbita ou outros motivos, “acelerando assim o socorro”, segundo a representante.

Pub